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Calor aumenta a venda de água, sucos e frutas

As altas temperaturas e a baixa umidade relativa do ar em Cuiabá fizeram aumentar a venda de água, sucos, frutas, picolés e sorvetes, que alavancam o comércio de rua e das empresas que fabricam ou comercializam esse tipo de produto. No centro da cidade, vendedores ambulantes estão vendendo até o dobro de água e suco do que em dias normais. Na fábrica a meta é superar as vendas e compensar a queda dos meses de junho e julho em virtude do frio.

Na banca de Edival Dias, o copo de suco de laranja atrai fila e de 6 sacos, o consumo passou para 8 sacos de laranja por dia. A professora Elza Nobre, de Planalto da Serra, tentou compensar o tempo seco e sol forte com os goles de suco de laranja. "Na minha cidade também está um clima seco, mas lá pelo menos a temperatura mais amena".

O que é motivo de cansaço para uns, para Adilson dos Santos a seca está trazendo fôlego nas vendas. Desde que o clima esquentou e a fumaça tomou conta da cidade, ele e sua esposa passaram a vender até 9 fardos de água por dia, entre às 8h e às 16h, momento em que vai à feira comprar as frutas para preparar os sucos. "Estamos vendendo muito. Antes eram vendidas 48 garrafinhas de água, agora são cerca de 100 por dia".

Para Jorge Martins de Oliveira bom mesmo é quando junta o calor e o início de mês. Em sua barraquinha de água de coco o movimento é o dobro nesta época, sendo que nas primeiras semanas deste mês chegou a vender 90 cocos. "Quando está chovendo, as vendas não passam de 50 frutas por dia, agora é normal vender entre 70 e 80 todos os dias".

O mesmo diz Hercione da Silva e Conceição Souza. Eles percorrem as ruas centrais da Capital com um freezer lotado de melancias e vendem os pedaços para quem quer matar a fome e se refrescar. De acordo com Hercione da Silva, este mês eles estão vendendo 5 frutas a mais por dia, o que gera uma média de 18 melancias ao final da tarde. Cada fruta rende, em média, 10 fatias, e cada uma é vendida por R$ 1,50, somando R$ 15 por melancia.

Na barraca em que Célia Maria Nascimento trabalha, a água mineral custa R$ 1 e nos últimos dias ela dobrou as vendas. "Ainda estamos vendendo a R$ 1, mas por aí se encontra por até R$ 2 cada garrafa, e vendem tudo".

Depois que ficou desempregada, Maria Aparecida Vicente comprou um carrinho para vender água de coco e mineral, mas ela percebeu que era mais lucrativo comercializar em seu isopor pelas calçadas. Hoje ela possui uma clientela fiel e tem que limitar a quantidade que leva para controlar a hora de ir embora. "Eu vendo tudo que trago, hoje precisei sair mais cedo e por isso trouxe menos. Enquanto tem estou continuo vendendo".

A alta nas vendas chegou até as engarrafadoras. Na Lebrinha, este mês registrou uma alta entre 15% e 20% nas vendas dos produtos em embalagem descartáveis e até 30% no total comercializado. A diretora da empresa, Flávia Alves de Almeida, diz que este incremento só não é maior porque novas empresas estão atuando no segmento. "Poderíamos estar vendendo mais, porém já aumentou bem. Agora é a hora de compensar a queda que registramos em julho depois de algumas semanas seguidas de frio".

Para quem quer mais do que hidratar, quer se refrescar, a pedida tem sido os sorvetes e picolés. Na sorveteria Delícias do Cerrado a movimentação está 30% maior nos últimos dias e os sabores que têm mais saída são os mais refrescantes, como cajá-manga, cupuaçu, jabuticaba e picolé de groselha. A proprietária Aline AlvesTavares Tomikawa explica que o movimento começa depois do almoço e não pára. "A partir do meio-dia começam a chegar os clientes e vai até a noite. É gente de todas as idades".

O carrinho do senhor Luismar Medeiros não está ficando cheio, por dia ele está vendendo 90 picolés, um recorde para ele. "Normalmente vendo até 60 picolés, mas estes dias têm saído cerca de 90 por dia".

Da água à melancia, o que se percebe é que os comerciantes aproveitam as oportunidades para impulsionar as vendas e garantir um faturamento a mais, mesmo que o tempo seco seja o fator de influência.

Data Edição: 27/08/2010
Fonte: Gazeta Digital

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