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Amarelão controlado

Os dias quentes e úmidos do verão são perfeitos para a proliferação do inseto chamado psilídeo, que é transmissor de uma importante doença que atinge os laranjais: o amarelão. Nos últimos meses, a incidência caiu bastante, resultado de um manejo mais adequado que está sendo feito pelos agricultores.

 

O produtor Antônio de Oliveira não esquece o que enfrentou quando descobriu o amarelão na fazenda em Aguaí, região leste de São Paulo. “A gente começou a erradicar. Mas aí foi tarde”, lamentou.

O amarelão, também chamado de greening, é causado por uma bactéria que fica alojada em um vetor, um pequeno mosquito muito comum em várias regiões do Brasil. Por isso, controlar a doença é também controlar o inseto transmissor.

Passados dois anos, o seu Antônio ainda luta contra a doença. “A gente está cortando, fazendo o manejo”, completou.

A consciência já traz resultados. Dados da coordenadoria de Defesa Agropecuária de São Paulo mostram que entre o primeiro e o segundo semestres de 2010 os casos caíram de 3,1 milhões de pés para 1,6 milhão de pés. Houve uma queda de 48%. O principal motivo é o manejo.

A propriedade em Engenheiro Coelho faz parte de um conjunto de fazendas com mais de 800 mil pés de laranja no interior de São Paulo. Hoje, com o controle intenso das pragas, os produtores comemoram uma infestação de menos de 1% do amarelão. Isso só foi possível com a fiscalização dia a dia na lavoura.

Os irmãos Emílio e José Eduardo Fávero têm uma área onde vários pés de laranja tiveram de ser erradicados. O corte dos pés doentes é uma forma de manejo recomendada para controlar a doença.

“Foi cortado e foi passado um produto. Alguns produtores usam várias outras técnicas para fazer com que esse pé não tenha mais uma brotação”, disse Emílio Fávero.

A agrônoma Margarida Paes explicou que a maneira mais fácil de identificar a presença do amarelão é pela coloração das folhas. “Geralmente aparece um ramo amarelado. As folhas têm aspecto mosqueado. Os frutos ficam em tamanhos irregulares, deformados”, detalhou.

Uma vez detectado o amarelão é preciso tomar medidas em conjunto com os produtores vizinhos.

“A gente está demarcando certos dias. Todo mundo faz em conjunto pra gente diminuir essa pressão do psilídeo”, esclareceu Eduardo Fávero.

“Os produtores têm de proceder através do site da Coordenadoria de Defesa Agropecuária e fazer a declaração das informações. Eles fazem o protocolo no próprio sistema. Eles devem passar todas as informações pedidas no site, principalmente o número de plantas vistoriadas e o número de plantas encontradas com os sintomas e eliminadas o mais rápido possível. O monitoramento do psilídeo nas lavouras pode ser feito através da instalação de uma armadilha amarela ou verde, que é a atração do inseto pela cor. Elas são espalhadas principalmente ao redor dos talhões e internamente. É colocada uma armadilha a cada cem metros nas bordaduras dos talhões. As armadilhas têm de ser vistoriadas semanalmente. Em se encontrando o inseto, com uma média de um a cada armadilha, o controle deve começar a ser feito”, explicou Vicente Martello, diretor do Centro de Defesa Sanitária Vegetal.

 

 

 

Fonte: Globo Rural

Publicada: 03/02/2011

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