Boa rentabilidade em 2009 impulsiona investimentos em 2010
O Projeto Hortifruti Brasil finaliza 2010 com pesquisas que abrangem 368 mil hectares cultivados com banana, batata, cebola, cenoura, maçã, mamão, manga, melão, tomate e uva. Esse total corresponde à área ocupada com essas culturas nas regiões de coleta de informações de mercado que são publicadas mensalmente na revista. Trata-se das principais regiões produtoras das frutas e hortaliças-alvo da Hortifruti Brasil, mas não representa, portanto, a área total cultivada com esses produtos no País. Comparando-se a área estudada pelo projeto em 2010 com 2009, constata-se aumento de 5,4%. A razão do aumento é principalmente por conta dos produtores ampliarem seus investimentos devido ao bom desempenho econômico obtido em 2009.
Dos hortifrutícolas avaliados no Projeto Hortifruti Brasil, tomate, batata, cebola e cenoura foram os que mais expandiram em área em 2010: em torno de 8,7% em comparação a 2009. Esse cálculo refere-se ao comparativo das safras de inverno (abril a outubro) e de verão (novembro a março). Na safra de inverno 2010, as áreas das hortaliças aumentaram. Além disso, o clima foi muito favorável a esse grupo de culturas (menor precipitação durante o inverno) e isso proporcionou produtividade elevada, impulsionando a oferta, mas reduzindo as cotações, especialmente entre julho a outubro de 2010. Quanto à rentabilidade, o bom volume colhido amenizou o impacto causado pelos preços mais baixos no resultado final dos hortifruticultores, especialmente daqueles que dependem exclusivamente da receita desse período, por concentrarem a colheita nesta época. Na safra de verão 2010/11, está previsto aumento na área cultivada com cebola, cenoura e batata. Já o tomate de mesa no Sul e Sudeste do País fica fora dessa projeção, e a estimativa é de um ligeiro recuo na área. No entanto, a produtividade pode não ser tão elevada no verão como no inverno devido aos efeitos climáticos que o La Niña (veja página 14) poderá provocar no desenvolvimento das lavouras – a previsão é de seca no Sul do País e de chuvas em excesso no Nordeste. O Sudeste teve primavera de chuvas abaixo da média, mas a previsão da Somar Meteorologia é que, em janeiro e fevereiro, as precipitações sejam elevadas.
No caso das frutas avaliadas pela Hortifruti Brasil, no geral, a área teve um ligeiro aumento em 2010 frente a 2009. Os destaques são as recuperações da área de mamão nas regiões tradicionais de plantio e o aumento do cultivo do melão no Vale do São Francisco. No caso da manga, o aumento registrado pela Hortfruti Brasil refere-se ao ajuste da amostra do projeto do que aumento dos investimentos propriamente. A rentabilidade foi, no geral, limitada para todas as frutas. Maçã, melão, manga e mamão (sobretudo o papaia) voltados ao mercado doméstico foram os que apresentaram rentabilidade negativa durante o pico de safra. A maior oferta no período combinada com a qualidade inferior (no caso da maçã) pressionaram as cotações e a renda do produtor. Já nos casos da uva e da banana, ambos destinados ao mercado doméstico, a rentabilidade foi melhor devido à oferta controlada ao longo do ano, mas a estimativa não é de ampliação de investimentos no próximo ano. Para 2011, a perspectiva para a hortifruticultura é de manutenção dos investimentos frente a 2010. Isso é um fato positivo, levando-se em conta que a área alcançou, em 2010, patamar elevado o bastante para atender adequadamente o mercado doméstico e externo. A citricultura é avaliada separadamente por ser ati vidade de grande extensão – comparada às outras frutas – e voltada à indústria (veja seção Citros, na página 39). Neste caso, além das informações coletadas junto à rede de colaboradores, os dados de área e produção têm como base também fontes oficiais, como o Instituto de Economia Agrícola (IEA), Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) e a CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos).
Fonte: Cepea
Publicada: 13/12/2010
