Chuva e crise reduzem exportações de uva neste ano
Menor produção e chuva reduzem exportações em 2009
Os investimentos na área com uva no Vale do São Francisco foram menores neste ano – houve redução de 3,8% frente 2008. Esse cenário esteve atrelado, principalmente, aos prejuízos registrados em 2008 por conta da crise financeira internacional, que diminuiu a demanda pela fruta, principalmente da Europa. Além de menor produção, as chuvas ocorridas no Vale no primeiro semestre deste ano prejudicaram a qualidade e a produtividade da uva, limitando as exportações no período. Segundo a Secex, de janeiro a junho de 2009, foram exportadas à Europa 298 toneladas de uva frente às 1.680 toneladas exportadas na mesma época em 2008 – ou seja, no primeiro semestre, os embarques representaram apenas 18% do total exportado o mesmo período de 2008. No segundo semestre do ano, o cenário internacional estava mais favorável às exportações brasileiras. Na Califórnia (EUA), por exemplo, houve um adiantamento da safra e redução de 13% na produção em relação à do ano passado, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Além disso, a oferta de uva européia também foi menor no segundo semestre. Mesmo assim , as exportações brasileiras não registraram recuperação no período, por conta da menor oferta nacional e do dólar desvalorizado. De agosto a novembro/09, o volume enviado à Europa foi 31% inferior ao enviado no mesmo período do ano passado; os Estados Unidos, a redução foi de 35%. Assim, no balanço de 2009, agentes do setor acreditam em redução entre 30% e 40% no volume embarcado – em outubro, chuvas atípicas em Juazeiro (BA) e em Petrolina(PE) causaram perdas durante a colheita. Com a forte redução da oferta de uva brasileira, os preços da fruta até subiram no segundo semestre, mas não o suficiente para garantir ganhos elevados aos produtores. Para 2010, agentes acreditam em redução da área cultivada.
Com menor oferta interna, importação aumenta neste ano
O volume de uva importado pelo Brasil de janeiro a julho deste ano foi 54% superior ao mesmo período de 2008, conforme dados do Secex. Das 17,8 mil toneladas importadas, 10,7 mil foram provenientes do Chile e 7,2 mil, da Argentina – este foi o primeiro ano em quais as importações chilenas superaram as argentinas. O aumento das compras internacionais se deve à menor oferta na região do Vale do São Francisco, decorrentes das chuvas no primeiro semestre, e à eliminação de barreiras fitossanitárias impostas pelo Brasil em 2008 à uva chilena. Para o primeiro semestre de 2010, agentes acreditam que o Brasil deve comprar volume representativo de uvas, devido à menor produção do Vale do São Francisco. Esse volume importado, contudo, ainda dependerá da capacidade de abastecimento de outros países. No Chile, por exemplo, a safra de uvas neste ano foi comprometida por temperaturas baixas e presença de geadas em alguns parreirais.
Clima deve diminuir produção de uva de mesa em PR
A maior oferta de uva de mesa na temporada 2008/09 pressionou a cotação da fruta negociada em Marailva (PR) e na região norte do Paraná (Uraí, Assaí e Bandeirantes). Entre novembro/08 e janeiro/09, o valor médio da Itália foi 15% inferior ao mesmo período da safra 2007/08. Já na safrinha(abr-jul/09), os preços de uva Itália se recuperaram, impulsionados pela menor oferta no mercado interno – a media de abril a julho de 2009 foi 29% maior que a da mesma época de 2008. Para safra de 2009/10, agentes paranaenses esperam diminuição no volume de uva de mesa produzida, principalmente nas primeiras colheitas, e atraso no incio da safra, devido ao frio e as chuvas entre julho e outubro, que prejudicaram as primeiras podas, o desenvolvimento da fruta e as floradas. O clima desfavorável, por sua vez aumentou os gastos com a cultura em decorrência do maior numero de aplicações de fungicidas. Neste ano, incentivos principalmente pela elevação no processamento industria, produtores de Marialva, no norte paranaense (Uraí, Assaí e Bandeirantes) e Rosário do Ivaí aumentaram a área cultivada, em 3,3%, em relação à safra anterior.
Produção em Pirapora é menor em 2009
Neste ano, a região de Pirapora (MG) apresentou, novamente, redução na área cultivada, de 18,5%, frente à registrada em 2008. Essa diminuição deve-se ao elevado custo de produção (com mão-de-obra e insumos) e à dificuldade de aumento da produtividade que vem sendo observados nos últimos anos. Quanto à colheita, as atividades de campo da safra deste ano iniciaram em julho e terminaram antecipadamente na primeira quinzena de outubro. A oferta desta temporada em Pirapora foi inferior à do ano passado, devido à menor produtividade, que foi prejudicada por adversidades climáticas durante as podas. Além da produção reduzida na praça mineira, o Vale do São Francisco disponibilizou menor volume de fruta e a região de Jales (SP), escalonou a oferta, fazendo com que os preços da uva de Pirapora permanecessem firmes em pleno pico de safra. Entre agosto e setembro/09 o valor médio da Itália de Pirapora foi de R$ 3,49/kg, preço 8% superior ao do mesmo período de 2008 e 104% acima do mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura. Para 2010, a expectativa é de que ocorra uma manutenção de área cultivada na praça mineira, por conta da maior rentabilidade obtida com a cultura em 2009.
Uva de Jales valoriza neste ano
A área com uva em Jales (SP) apresentou leve aumento de 1,7% em 2009 frente à do ano passado, devido à expansão do cultivo da Niágara (rústica)- além de serem plantadas novos parreirais, alguns produtores substituíram o cultivo de uvas finas por rústica. Em relação a temporada da praça paulista, que ocorreu de julho a novembro/09, os preços das uvas registraram alta, devido à oferta escalonada em Jales e à menor oferta da fruta em Pirapora e do Vale do São Francisco. O valor médio da uva Itália negociada em Jales no pico da safra (ago/set) foi 21% maior que o do mesmo período de 2008. Para a Niágara de Jales, que é colhida na entressafra da região de Louveira/Indaiatuba(SP), o preço médio entre agosto e setembro foi 14% acima do registrado na mesma época de 2008 e 220% maior que o valor mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura. Na segunda semana de novembro, quando ocorreu uma “janela” no mercado nacional, as uvas jalenses foram comercializadas a preços bastante elevados, com o valor médio da Niágara atingindo R$ 4,03/kg, o maior do ano para a região. Com a melhor rentabilidade obtida nesta ano, produtores devem realizar investimentos em suas propriedades em 2010, incluindo a expansão no cultivo de Niágara.
Chuva atrasa safra e eleva custos em Campinas
Produtores da região de Campinas (SP), que inclui os municípios de Louveira, Indaiatuba e Jundiaí, aumentaram o numero de aplicações de fungicidas entres os meses de julho a outubro/09, devido às chuvas durante as podas, brotações e floradas. Assim, de acordo com agentes do mercado, houve uma elevação nos custos de produção e atraso no inicio da safra, que deve ocorrer na primeira quinzena de dezembro. Alem disso, há expectativa de menor produtividade, principalmente dos primeiros parreirais a serem colhidos. Em 2010, a área plantada deve reduzir ligeiramente, em decorrência do crescimento urbano e de falta de mão-de-obra.
Com Maior rentabilidade, área com niagara expande em SP
Neste ano, a área cultivada com uva rústica em São Miguel Arcanjo(SP) aumentou 13,6% em relação à de 2008 e, de uvas finas, se manteve estável. A expansão de niagara esta atrelada à melhor rentabilidade da variedade na ultima safra(jan-abr/09). Já em Pilar do Sul (SP), a área cultivada se manteve estável frente a 2008. Em ambos os municípios, a expectativa para a temporada 2009/10 é de que ocorra um atraso no inicio das atividades de campo – alguns produtores devem colher em janeiro e outros, em fevereiro, quando o volume ofertado aumenta. Esse atraso se deve ao clima desfavorável durante as podas entre agosto e outubro.
Fonte: Revista Hortifruti
Publicada: 12/01/2010
