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Cultivo de bananas em ambiente protegido nas Ilhas Canárias

As Ilhas Canárias são um arquipélago espanhol no Oceano Atlântico, constituindo uma Região Autônoma da Espanha, que apresenta área de 7447 km², com uma população em 2005 de quase 2.000.000 de habitantes, sendo a densidade demográfica de 247,58 hab/km² . O arquipélago se encontra situado nas latitudes de 27º37´ e 29º 25´ Norte, a 1.000 Km da Península Ibérica e a 100 km a Noroeste do continente africano, sendo constituído por sete ilhas principais (Tenerife, La Palma, La Gomera, El Hierro, Gran Canária, Fuerteventura e Lanzarote), divididas em duas províncias, e várias pequenas ilhas e ilhéus costeiros (Wikipedia, 2008).

As Ilhas Canárias são as maiores produtoras de banana da Europa, com 412 mil toneladas produzidas em 2004, ocupando a primeira posição das regiões produtoras de banana da União Européia, sendo que esse cultivo representa cerca de 30% da produção agrícola da Ilha, ocupando pouco mais de 25% das terras irrigadas. O cultivo da bananeira nessa região é a principal atividade econômica para muitas localidades, gerando 25.000 postos de trabalho diretos e outros 10.000 indiretos. Atualmente, nas Canárias, são cultivados mais de 3.000 ha de banana sob cultivo protegido, o que representa mais de um terço da área destinada a esse cultivo (Gobierno de Canarias, 2007).

De acordo com Galán Saúco & Cabrera Cabrera (2006) cerca de 80% das áreas de cultivo de bananeira em Canárias são inferiores a 1 ha, e mais de 90% não ultrapassam 2 ha, sendo menores as áreas de cultivos nas ilhas de La Palma e La Gomera, onde ao redor de 75% apresentam uma superfície inferior a 1/2 ha.

Mais de 90% das bananas produzidas em Canárias no ano de 2005 foram consumidas fora das ilhas e somente 8% foi destinado ao consumo local (Tabela 1). A ilhas com maior volume de produção em 2005 foram Tenerife, que com cerca de 136 mil toneladas alcançou 48% da produção, seguida de La Palma con 118 mil toneladas (38%) e Gran Canaria com mais de 52 mil toneladas de bananas colhidas (17%). As ilhas de La Gomera e El Hierro produziram 5.600 e 2.500 toneladas, respectivamente (3%).

Produção em ambiente protegido 

O  cultivo protegido é um sistema agrícola especializado no qual se controla o meio edafoclimático, alterando suas condições, tais como solo, temperatura, radiação solar, vento umidade e composição atmosférica. Mediante essas técnicas de proteção, cultivam-se plantas modificando o ambiente no qual serão produzidas, o que acarreta em alterações de seus ciclos, aumentando os rendimentos e melhorando a qualidade do produto final, bem como gera uma estabilização da produção e também supre o produto em épocas de entressafra (Castilla, 2005).

O cultivo de banana em ambiente protegido foi uma estratégia desenvolvida nas Ilhas Canárias objetivando aumentar a produtividade e também visa enfrentar a concorrência das empresas multinacionais produtoras de banana pelo mercado europeu. Outras vantagens atribuídas ao cultivo da bananeira em ambiente protegido referem-se à melhor qualidade dos frutos, menores riscos de danos climáticos, melhor aproveitamento da água, maior facilidade ao emprego do cultivo orgânico, uma vez que forma-se uma barreira física entre o bananal e os insetos praga (Galán Saúco & Cabrera Cabrera, 2002).

Desde o final dos anos 70 iniciaram-se estudos das vantagens do cultivo protegido para a bananeira em diferentes zonas das Ilhas, tanto da iniciativa privada, como do setor publico, através do ICIA (instituto Canario de Investigaciones Agrarias). Devido a essas pesquisas, o cultivo de banana em ambiente protegido em Canárias multiplicou-se por cinco desde os anos 70 até o final dos anos 90 (Galán Saúco & Cabrera Cabrera, 2002).

Segundo Galán Saúco & Cabrera Cabrera (2006) dos 9.600 ha cultivados com bananas, 3.000 ha estão cultivados em ambiente protegido, sendo a cultivar Pequeña Enana a mais cultivada, com 4.500 ha, seguido por 3.000 ha de Gran Enana e cerca de 2.000 ha com `Gruesa´, além de pequenas áreas cultivadas com outras cultivares do subgrupo Cavendish.

O cultivo protegido para bananeira apresenta como principais vantagens a proteção contra o vento, aumento da temperatura, aumento da superfície foliar e reduçao do consumo de água. As estruturas das estufas apresetam, em geral, grande resistência ao vento, chegando a resistir a ventos superiores a 100 km/h. Com relação a temperatura, a utilizaçao de estufas em zona subtropicais, como em Canárias, onde as temperaturas médias mensais dos meses mais frios não superam os 20ºC (temperatura crítica para o desenvolvimento e crecscimento da bananeira), permite que as planta melhore sua atividade vegetativa quando comparadas às cultivadas ao ar livre. A redução no consumo de água é devido a uma menor evapotranpiração que ocorre dentro das estufas (em torno de 25%), o que é de vital importância em Canárias, pois a água tem custo muito elevado (Galán Saúco & Cabrera Cabrera, 2002).

Outro aspecto importante do cultivo protegido seria a possibilidade de melhor adequação da época de produção em função da demanda do mercado. No caso da bananicultura Canária, que sofre grande competição pelo mercado europeu por empresas multinacionais, o cultivo protegido se mostrou muito eficiente nesse manejo do ciclo cultural da bananeira (Galán Saúco & Cabrera Cabrera, 2002).

Estrutura e cobertura das estufas

O correto manejo das condições ambientais dentro das estufas propicia um desenvolvimento equilibrado das plantas e acarreta em boas produções. As práticas culturais se realizam ao longo do ciclo produtivos e devem se adaptar às condições ambientais.

As estufas de teto plano, chamado de “parral” é o que melhores resultados têm apresentado para o cultivo da bananeira nas ilhas, pois apresenta um relativo baixo custo, grande adaptabilidade ao terreno, alta resistência ao vento e, boa luminosidade.

Esta estrutura consta basicamente de uma estrutura vertical formada por tubos internos onde se prendem cabos de aço ou arame, que dará sustentação à cobertura (figura 2). O tipo de cobertura escolhida dentre as diversas malhas plásticas existentes será a responsável pelas condições internas da estufa.

Principais diferenças entre plantas cultivadas ao ar livre e sob ambiente protegido

De acordo com Galan Sauco et al, 1998 existem diferenças morfológicas, fenológicas e produtivas quando se compara o cultivo de bananeiras em ambiente protegio e ao ar livre, dentre elas destaca-se:

a) Diferenças morfológicas: Para as cultivares mais plantadas na Ilha de Tenerife (Gran Enana e Pequeña Enana), verifica-se que as plantas cultivadas em ambiente protegido são mais vigorosas (maior altura e circunferência do pseudocaule com diferenças entre 0,20 a 0,50 m de altura e entre 25 e 10 cm de perímetro do pseudocaule)

b) Diferenças fenológicas: O número de folhas produzidas não varia, porém o ritmo de emissão de folhas em ambiente protegido é mais rápido, o que reflete num ciclo mais curto de até 2 meses, em alguns casos.

c) Diferenças em produção: Os aumentos em rendimento são nítidos, quando se cultiva banana em ambiente protegido, pois observa-se aumento no peso do cacho, bem como na produção por hectare, sendo que em zonas do norte da ilha de Tenerife observa-se uma aumento de 15 a 30% do peso do cacho e de 25 a 50% em produção por hectare ao ano. As produções em ambiente protegido nas melhores áreas pode chegar entre 80 e 100 ton/ha, contrastando com uma produção de 60 ton/ha em áreas cultivadas ao ar livre. A qualidade da fruta também é alterada, pois ocorre menos danos mecânicos aos frutos, bem como o diâmetro e comprimento dos frutos são incrementados.

BIBLIOGRAFIA DE REFERÊNCIA

ASPROCAN - Asociación de Organizaciones de Productores de Plátanos de Canarias. "Producción de Plátanos de Canarias Comercializados”, 2008. Disponível em: . Acesso em: 10 mai. 2008.
CASTILLA, N. Invernaderos de plástico: Tecnología y manejo. Madrid: Mundi-Prensa, 2005. 462 p.
GALÁN SAÚCO, V. & CABRERA CABRERA, J. Cultivo bajo invernadero. In: GALVÁN FERNÁNDEZ, D. & HERNÁNDEZ DELGADO, P.M. (Eds.). Actividades del ICIA. p. 11-20, 2002.
GALÁN SAÚCO, V. & CABRERA CABRERA, J. El cultivo del plátano (Banano, Musa acuminata Colla AAA, subgrupo Cavendish) en las Islas Canarias. In: ACORBAT – Reunião Internacional ACORBAT, XVII, 2006, Joinville, Brasil. 2006. p. 289- 301.
GALÁN SAÚCO, V.; CABRERA CABRERA, J.; HERNÁNDEZ DELGADO; P.M.; RODRÍGUES PASTOR, M.C. Comparison of protected and open-air cultivation of Grand Naine and Dwarf Cavendish banana. Acta Horticulture, n. 490, p. 247-259, 1998.
GOBIERNO DE CANARIAS. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2007, 19:53.
Wikipedia 2008. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2008.

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Artigo enviado ao TodaFruta para publicação em 06/06/08

1 - Eng. Agr. Doutorando em Horticultura da Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP. Depto. de Recursos Naturais/Solos, Cep: 18610-307 - Botucatu/SP. E-mail: ervaljr@hotmail.com. Bolsista Fapesp / Capes.
2 - Pesquisador do Instituto Canario de Investigaciones Agrarias, Departamento de Fruticultura Tropical (ICIA) Apartado 60 - 38200. La Laguna (Tenerife). España. E-mail: jcabrera@icia.es.
3 - Pesquisador do Instituto Canario de Investigaciones Agrarias, Departamento de Fruticultura Tropical (ICIA) Apartado 60 - 38200. La Laguna (Tenerife). España. E-mail: vgalan@icia.es.


Data Edição: 09/06/08
Fonte: TodaFruta
Publicada: 10/06/08

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