Elevada oferta de mamão no segundo semestre prejudica rentabilidade
Baixa rentabilidade no 2º semestre pode reduzir investimentos para 2011
Nas últimas safras de mamão, a rentabilidade da cultura foi positiva, fazendo com que muitos produtores investissem no cultivo da fruta na temporada de 2010. Neste ano, houve aumento de 7,2% na área frente à de 2009. No primeiro semestre de 2010, a baixa oferta da fruta, devido às temperaturas amenas, valorizou o mamão, principalmente entre junho e julho, quando o volume colhido foi muito escasso – em junho, a média de preços do havaí foi de R$ 2,15/kg no Espírito Santo. Já no segundo semestre, o clima quente e seco elevou significativamente o volume de frutos colhidos. Com o excesso de oferta, os preços caíram e a rentabilidade de mamonicultores acabou sendo negativa de setembro a novembro. Esse cenário desanimou alguns produtores, que podem diminuir os investimentos em novas áreas – deve haver apenas manutenção dos pomares já plantados. A oferta de havaí do Espírito Santo e do sul da Bahia deve continuar elevada no final de 2010, o que deve manter os preços mais baixos, próximos ao custo de produção.
Aumento da área no ES fica abaixo do esperado
A boa rentabilidade obtida por produtores de mamão formosa no Espírito Santo em 2009 animou produtores em investir na cultura, com agentes planejando aumento de área de cerca de 13% para 2010. Contudo, com o aumento da oferta e a queda na rentabilidade no segundo semestre, parte dos investimentos não foi realizada. Assim, o incremento da área de mamão no ES acabou sendo apenas 8,5% maior em 2010 frente à de 2009. Nos meses de setembro e outubro, período em que cerca de 70% da produção anual de mamão foi colhida, o formosa foi comercializado a R$ 0,38/ kg, em média, valor 44% menor que o registrado no mesmo período de 2009. Como a rentabilidade de mamonicultores capixabas ficou bem abaixo da esperada, muitos podem reduzir e/ou deixar de renovar seus pomares de formosa para a temporada de 2011. Além disso, alguns produtores do ES migraram para o norte de Minas Gerais – agentes comentam que esse processo de migração deve continuar em 2011.
Forte estiagem prejudica qualidade do formosa
As principais regiões produtoras de mamão enfrentaram uma forte estiagem entre maio e outubro de 2010, o que prejudicou a qualidade das frutas. O oeste da Bahia e o norte de Minas Gerais, onde predominam o cultivo de formosa, foram as praças mais afetadas com a seca. O clima quente e seco aumentou a incidência de manchas fisiológicas, conhecidas como “pele de sapo”. No Espírito Santo e no sul da Bahia, a qualidade do mamão também foi afetada. As chuvas retornaram apenas no final de outubro, beneficiando a qualidade dos frutos em todas as regiões e regularizando a oferta até o final de 2010.
Rentabilidade potiguar se mantém positiva em 2010
O clima favorável à produção de mamão no Rio Grande do Norte durante toda a temporada 2010 (poucas chuvas e temperaturas elevadas) proporcionou boa qualidade dos frutos, mantendo a rentabilidade positiva. No primeiro semestre de 2010, a oferta de mamão havaí foi moderada, com a média de R$ 1,00/kg no período, valor 75% acima do mínimo estimado por produtores para cobrir os custos com a produção de um quilo da fruta. No segundo semestre, o volume de mamão colhido também continuou controlado. Porém, a maior oferta de outras regiões produtoras acabou pressionando as cotações do mamão potiguar. De julho a novembro, o havaí teve média de R$0,93/kg, se mantendo acima do custo mínimo. Mesmo assim, mamonicultores potiguares estão cautelosos em realizar investimentos, fundamentados na possibilidade de oferta elevada no início de 2011, já que muitas roças novas entrarão em produção no período.
Crescem investimentos em MG
A área cultivada com mamão em Minas Gerais passou de cerca de 525 hectares no início de 2010 para 800 hectares no meio do ano, aumento de 52%. Esse forte investimento esteve atrelado às condições climáticas favoráveis ao cultivo da fruta na região. Em 2010, a disponibilidade de água destinada à irrigação e o clima garantiram o bom desenvolvimento dos frutos mineiros. Para 2011, a expectativa é de que produtores continuem investindo na cultura, com a área podendo chegar a 1,2 mil hectares.
Exportações recuam 2,5% em 2010
A baixa oferta de mamão brasileiro no primeiro semestre de 2010 limitou a exportações. De janeiro a junho, o volume embarcado foi 4% menor frente ao do mesmo período de 2009, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterio (Secex). Durante o segundo semestre de 2010, mesmo com maior oferta nacional o volume de mamão exportado se manteve baixo, devido à menor qualidade. A forte estiagem que atingiu praticamente todas as regiões produtoras de mamão prejudicou a qualidade da fruta, deixando os frutos muito manchados, fora do padrão exigido pelo mercado internacional. De janeiro a novembro/10, a exportações totalizaram 24,5 mil toneladas, redução de 2,5% em comparação ao mesmo período de 2009. Quanto ao transporte, aproximadamente 92% do total exportado foi via aérea, modalidade que vem crescendo a cada ano, devido às inúmeras vantagens oferecidas.
Fonte: HortiFruti Brasil
Publicada: 06/01/2011
