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Frutas: perda de 30% nas rodovias

A deficiência no transporte da produção frutífera brasileira inviabiliza o padrão de exportação internacional.

Bento Gonçalves (RS) O transporte de frutas pelas estradas brasileiras gera uma perda média de 30% da carga, constituindo hoje um dos maiores entraves ao desenvolvimento da fruticultura nacional. A logística e o processo de pós-colheita foram debatidos durante o Frutal Cone Sul, que termina hoje, no Parque Fenavinho, em Bento Gonçalves, a 120 km de Porto Alegre. "Desde a saída do campo, nossos produtos são expostos a estradas esburacadas, acomodação e manuseio inadequados e tempo de espera que prejudica a conservação das frutas", afirma Rufino Fernando Flores Cantillano, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas. Cantillano observa que o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas e, embora a exportação nacional seja pequena em comparação com outros países, as condições para comercialização dos produtos enfrentam exigências dentro e fora do território nacional. "Perdemos em competitividade", enfatiza. Segundo ele, as tecnologias para colheita, transporte e armazenamento das frutas brasileiras registraram importantes avanços nos últimos anos. No entanto, as melhorias ainda são insuficientes para que o País exporte suas frutas dentro de padrões de qualidade exigidos em âmbito internacional.

O pesquisador, que é pós-doutor em colheita, considera que há falta de entrelaçamento das etapas de produção de frutas, desde a colheita até chegar ao consumidor. Por outro lado, as pesquisas desenvolvidas no Brasil apresentam diagnósticos próximos à realidade e apontam soluções adequadas para diferentes problemáticas. "Ainda assim, a falta de continuidade entre as etapas de produção, colheita, transporte e armazenamento, por exemplo, demonstram que a transferência tecnológica é pouco eficiente, já que essas melhorias não são efetivadas na prática", completa.

Para Euvaldo Bringel Olinda, presidente do Instituto Frutal e produtor de graviola, o Ceará conta hoje com avançadas técnicas de cultivo que garantem a qualidade das frutas destinadas tanto ao mercado externo quanto interno. "Com a técnica do cultivo protegido, por exemplo, os produtores da Chapada do Apodi e de outras áreas irrigadas no Estado conseguem dosar a quantidade de sol e água. Aliado ao sistema de proteção das plantas com lonas, essa técnica garante proteção contra pragas, preservando o brix (sabor) da fruta cearense, tão apreciada na Europa", explica.

 

Publicada: 09/11/09

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