Manga demais
Produtores de manga de Taquaritinga, em São Paulo, estão colhendo uma safra recorde. É tanta manga que falta comprador e a fruta está estragando no pé
Os pomares estão carregados e tanta manga assim preocupa seu Oraíde Perri. “É tanta manga que os barracões de frutas não estão dando conta, o mercado não está suportando”, comentou desanimado o agricultor.
Dos 2.400 pés, o produtor espera colher este ano, 300 toneladas de manga, o dobro da safra passada. E com a produtividade maior, a grande quantidade de manga no mercado derrubou os preços e o resultado é que tem manga se perdendo nos pés.
A produção estimada para o estado de São Paulo é de mais de 10 milhões de caixas. Só na região de Taquaritinga devem ser colhidas quase seis milhões, um milhão a mais que na safra passada. “O clima ajudou, o ano passado houve uma quebra de safra, houve um problema de doença por causa da chuva e na época efetivamente da floração, não veio chuva. O produtor já tinha cuidado, feito um investimento, então veio uma floração muito grande. Esta é uma das maiores safras de manga que estamos colhendo”, explicou Marco Antônio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga.
Os produtores estão recebendo entre R$ 0,20 e R$ 0,25 pelo quilo da manga. Para eles, o valor não paga os custos de produção. “No mínimo, sem contar o veneno, ela fica em R$ 0,15 de despesa. Sem contar também a colheita e as despesas da gente com o trabalho, trator e tudo isso”, disse seu Oraíde.
O Globo Rural conversou ao vivo de Taquaritinga com seu Pedro Magnane, produtor de manga. Na propriedade dele a colheita não começou ainda, eles estão ajeitando o escoramento porque a fruta começa a pesar e pode cair. Cada galho recebe um escoramento para não ter problema de quebra ou o vento derrubar. “A gente tirou a primeira florada e jogou a safra mais pra frente para poder pegar um preço melhor. Vamos começar a colher no fim de fevereiro, começo de março. Hoje o quilo da manga está sendo negociado a R$ 0,15 ou R$ 0,20, o que não paga o custo de produção. Eu que vou colher mais pra frente, devo receber em torno de R$ 0,50 ou R$ 0,60 o quilo”, contou o agricultor.
Fonte: Globo Rural
Publicada: 20/01/2011
