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Morte súbita dos citros segue avançando em São Paulo

A Morte Súbita dos Citros (MSC) ainda avança em alguns municípios no norte e noroeste do Estado de São Paulo, após dizimar pomares no Triângulo Mineiro. Mesmo com o número de municípios com casos de MSC estável em 31, sendo 19 em São Paulo e 12 no Triângulo Mineiro, a doença se alastra nos pomares dessas localidades.

A doença avançou nos municípios onde já estava, contaminando mais talhões, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). A situação é pior no norte de São Paulo, principalmente em Barretos e Olímpia. Nessas cidades, a incidência amena da doença se agravou desde o ano passado e hoje mais de 30% de plantas foram afetadas. Períodos de estiagem prolongados, como os que ocorreram nestes dois últimos anos, podem contribuir para o avanço da doença nesses municípios.

Relatada no Brasil em 2002, a Morte Súbita dos Citros é causada por um vírus, supostamente mutante do vírus da tristeza dos citros, e afeta todas as variedades comerciais de laranjeiras, tangerinas cravo e ponkan, lima ácida tahiti e as limas da pérsia e verde, desde que enxertadas sobre as variedades de limoeiros cravo e volkamericano.

A disseminação da doença ocorre devido à intolerância destes portas-enxertos à presença do vírus causador da MSC, cuja ação bloqueia do fluxo da seiva da copa para a raiz, com conseqüente diminuição do sistema radicular e capacidade de absorção de água e sais minerais, o que leva à morte das plantas. As folhas de plantas com MSC perdem o brilho e caem. As brotações, quando ocorrem, são pouco vigorosas e a planta definha. O amarelecimento que aparece na parte interna da casca do porta-enxerto, abaixo da zona de enxertia, é um sintoma característico da doença, visível ao se retirar a casca ou ao raspar as camadas internas.

A perda de produção em virtude da MSC nos estágios iniciais e severos varia entre 30 e 60% no peso total de frutos colhidos. A região afetada concentra cerca de 25% de toda a produção do parque cítricola. Estima-se em 4 milhões o número de plantas erradicadas desde o primeiro levantamento da MSC, em 2002.

A principal maneira de evitar a ocorrência da MSC é usar porta-enxertos tolerantes como o citrumelo swingle e as tangerinas cleópatra e sunki, em plantios novos. Foi justamente a atitude tomada pela trading Louis Dreyfus (LD) Commodities nos 400 mil pés de laranja cultivados em 810 hectares na Fazenda São João, em Santo Antonio da Alegria, região nordeste de São Paulo. A propriedade foi plantada no auge do alerta para a doença e por isso, não foi utilizado, inicialmente, o limão cravo, conhecido pela rusticidade e pela tolerância à seca.

Segundo a LD Commodities, o fato de a fazenda estar relativamente longe da área à qual a MSC está restrita, além de a doença não avançar rumo ao sul do parque citrícola, levou a companhia a optar por fazer uma sub-enxertia com o limão cravo. A prática consiste em fazer uma nova enxertia com um segundo porta-enxerto, paralelo à planta. No caso do pomar da LD, serviu para aumentar a resistência das plantas à seca e aumentar a produtividade.

Curiosamente, a sub-enxertia foi fartamente utilizada com outros porta-enxertos para justamente eliminar a possibilidade de a planta, antes enxertada com limão cravo, morresse com a ação da MSC nas regiões afetadas. Nesses casos, após a sub-enxertia, a planta afetada pela MSC levou aproximadamente um ano para recuperar-se novamente.

Fonte: Fundecitrus

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