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O potencial ornamental dos citrus

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja (FAO, 2010), mas a maioria das muitas variedades cultivadas é destinada à indústria de suco (BOTEON & NEVES, 2005). Pouco é conhecido, ou estudado, a respeito da utilização de citros para outros fins, como, por exemplo, o ornamental.

A presença dos citros em jardins vem de muitos séculos, pois existem relatos da utilização de algumas espécies cítricas a partir de 1027 a.C., na China, onde outras espécies frutíferas também eram usadas na composição de jardins (DONADIO et al., 2005). Muitas daquelas espécies ainda são fundamentais na citricultura atual, seja como porta-enxerto ou para o consumo como fruta de mesa (HODGSON, 1967). Da China, por meio de guerras e disputas por poder e território, os citros chegaram à Europa, onde foram cultivados, primeiramente, na Grécia, na Itália e na Espanha, espalhando-se pelos outros países durante as Cruzadas, dos séculos XI ao XIV (DONADIO et al., 2005). Existem na Europa, até hoje, construções chamadas de orangeries, que foram criadas originalmente para o cultivo protegido dessas espécies (SPIEGEL-ROY & GOLDSCHMIDT, 1996).

Os citros alcançaram as Américas durante a colonização portuguesa e espanhola (DONADIO et al., 2005). Por volta de 1600, já estavam bem adaptados ao clima brasileiro e eram abundantes em quintais domésticos, conventos, fazendas e fortalezas (HASSE, 1987). Mas foi ainda nesse século que se deu início à produção mundial comercial dos citros, passando a ser cultivados principalmente nos estados da Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo (DONADIO et al., 2005). Aos poucos, os citros desapareceram dos quintais e jardins domésticos, para aparecerem em grandes pomares comerciais.

O Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio de Citros Sylvio Moreira (Centro APTA Citros Sylvio Moreira), do Instituto Agronômico (IAC), localizado em Cordeirópolis/SP, possui uma das maiores coleções de citros do mundo, com cerca de 2.000 espécies, variedades e híbridos de laranja, tangerina, limão, lima, cidra, pomelo e toranja, dentre outros (CCSM/IAC, 2000). Todas essas variedades poderiam ser utilizadas como ornamental, pois os citros, em sua maioria, produzem flores brancas e perfumadas, folhas verde-escuras e brilhantes, e frutos de tamanhos, formatos e cores variados (QUEIROZ-VOLTAN & BLUMER, 2005). Algumas delas, no entanto, apresentam características ainda mais apropriadas para a utilização no paisagismo. E quase todas podem ser consumidas in natura ou na forma de geléias, conservas, doces cristalizados e licores (LAWRENCE, 1957).

Algumas das variedades cultivadas no Centro APTA Citros Sylvio Moreira, foram então estudadas, quanto às suas características, para uma possível utilização no paisagismo. São árvores de porte pequeno a médio, que medem até 4,50 m de altura. Algumas delas já são conhecidas e normalmente consumidas, como o kunquat, ou laranjinha kinkan, como é mais popularmente chamado. Por produzir frutos pequenos e não apresentar espinhos, essa espécie pode ser cultivada em vasos ou em locais onde existem crianças (Figura 1). Como os kunquats, a tangerina Venezuela também produz frutos pequenos. No caso desta, considerada uma microtangerina, os frutos ainda exalam uma fragrância que lembra a de eucalipto (PIO et al., 2005) (Figura 2).

Outras variedades, como as laranjas Cipó e Imperial, por serem também uma laranja doce, apresentam características similares à laranja Pêra, como o formato, o tamanho e o sabor do fruto. No entanto, a laranja Cipó apresenta ramos pendentes, podendo ser conduzida sobre pérgulas (LORENZI et al., 2006) (Figura 3), e a laranja Imperial é variegata, apresentando essa característica tanto nas folhas como nos frutos. Estes apresentam dupla coloração quando em desenvolvimento (amarelo claro com listras verdes) e regiões proeminentes mais escuras quando maduros (Figura 4).

Existem outras que apresentam formatos inusitados dentre os citros, como por exemplo, a cidra Mão-de-Buda, que se destaca por produzir frutos de formato que se assemelham a uma mão, com estruturas como se fossem gomos externos, além de flores de tamanho grande (Figura 5). Também existe o limão Faustrine, um híbrido proveniente de um cruzamento entre uma espécie de kunquat e duas de lima, que produz frutos de formato alongado (Figura 6).

As variedades descritas, enfim, apresentam diferenças acentuadas entre elas. Mas os citros, de uma maneira geral, mostram uma variabilidade enorme entre eles. É possível, portanto, encontrar plantas com características distintas que se adaptam a diferentes ambientes e desejos de paisagismo.

Fonte: TodaFruta

Data: 03/12/10

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