Produção de álcool a partir de frutas evita desperdício de 300 kg
Estudantes da Fatec usam tecnologia para produzir também vinagre e geleia.
Estudantes do curso de Tecnologia em Biocombustíveis da Fatec (Faculdade Estadual de Tecnologia) de Piracicaba passam a utilizar melancia para obtenção de álcool. A experiência, já realizada na instituição com abacaxi, amora, carambolas, ameixas e mangas, evita o desperdício diário de 300 quilos de frutas descartadas pelo Ceasa (Centrais de Abastecimento S/A).
“Qualquer fruta que contenha açúcar pode ser aproveitada. É uma adaptação mais simples da tecnologia disponível para resolver um problema local que está espalhado para todos os lugares onde tem Ceasa. Desta forma, a fruta é transformada em um produto nobre e o subproduto pode ser usado como adubo”, explica o professor Alessandro Antonio Orelli Júnior, orientador do projeto.
As frutas podem ser transformadas tanto em álcool combustível (etanol), quanto em aguardente (bebida alcóolica com teor entre 38% e 54% de álcool), como também em vinagre e geleia.
Segundo Orelli Junior, o combustível de frutas é tecnicamente viável, mas a cachaça de pêra e o vinagre de maçã, por exemplo, possuem mais valor agregado. “Ulisses Guimarães adorava aguardente de pêra, que custa quase R$ 160 litro”, revela o professor.
A estimativa de produção de álcool carburante é difícil de precisar, uma vez que depende da quantidade de açúcar presente na fruta, bem como do seu estado. Frutas muito deterioradas podem ser fonte de contaminação, diminuindo o rendimento da fermentação.
Em um cálculo aproximado, feito pela professora Márcia Nalesso Costa Harder, que também orienta o projeto, 100g de sacarose rende cerca de 50g de etanol, se a fermentação tiver uma eficiência de 100%. “Mas vários fatores, como o frio, por exemplo, fazem o rendimento cair”, explica Márcia.
Com as frutas em mãos, a primeira etapa depois da higienização é a extração da polpa. Depois, como em uma receita, adiciona-se água, fermento biológico e dentro de 24 a 48 horas o açúcar está convertido em álcool.
“Desenvolvemos primeiro a tecnologia da fermentação, que é uma das etapas; a segunda etapa, de destilação, é que permite pegar esse produto fermentado para fazer o álcool numa graduação adequada”, comenta Orelli Júnior.
A produção ainda ocorre em escala acadêmica laboratorial, mas a ideia é que até o final do ano seja ampliada para a escala piloto. “Enquanto na laboratorial são gerados 40 ml de álcool, na piloto são 40 litros de álcool”, afirma Márcia.
Segundo os orientadores, a tecnologia é muito simples e permite retornos bem interessantes. “Você imagina como seria montar uma cooperativa como a dos recicladores. Se eles recolhessem as frutas como fazem com os recicláveis e fermentassem, poderiam produzir álcool em gel para a venda, por exemplo”, analisa.
Atualmente, os produtos desse trabalho são utilizados apenas como presentes para alguns visitantes da Fatec. O ideal seria que a produção fosse feita em escala industrial, aproveitando ainda mais a tecnologia. “Se tiver parceria com uma indústria, o ciclo da justificativa de existência da Fatec estaria fechado, já que ela existe justamente para transmitir conhecimento aos alunos atendendo as indústrias”, finaliza Márcia.
Serviço
Transformação de frutas em álcool
Projeto realizado pela Fatec (Rua Diácono Jair de Oliveira, 651, Jardim Santa Rosa)
Informações: (19) 3413-1702
Fonte: Caminhos da Roça
Publicada: 05/09/2011
