Produtores de banana querem criar central
NOVA PORTEIRINHA - A alta dos adubos, com reajustes superiores a 200%, será um dos principais assuntos a serem discutidos pelos produtores de banana do Norte de Minas no II Encontro dos Fruticultores Irrigados de Minas Gerais, a ser realizado no dia 31 de outubro, em Nova Porteirinha. A preocupação tem fundamento, pois tais aumentos comprometem o combate à praga do Mal do Panamá, uma das principais doenças dos bananais.
O presidente da Associação dos Bananicultores do Norte de Minas, Dirceu Colares Moreira, lembra que apesar de a região apresentar a mais baixa aplicação de agrotóxicos, o adubo saltou de R$ 700,00 para R$ 1,8 mil a tonelada. A proposta a ser discutida é criar uma Central de Negócios, vinculada à Abanorte, para se fazer a compra conjunta dos adubos e de outros insumos de forma unificada diretamente das indústrias, barganhando preços e eliminando a figura do atravessador. Os produtores vão cobrar também uma participação e apoio do Estado. Janaúba, sede da Abanorte, é hoje o maior pólo produtor de banana de Minas Gerais.
A doença do Mal do Panamá não tem cura segundo a gerente-executiva da Abanorte, Ivanete Pereira dos Santos. O pesquisador Laércio Zambolin, da Universidade Federal de Viçosa, que se especializou nesta praga, vai mostrar, durante o evento, como fazer o manejo integrado. «A praga tem causado problemas na produção de banana, principalmente quando a infestação é muto forte, inviabilizando o tratamento.
Para o pesquisador Zambolin o problema deve ser enfrentado através do manejo do solo, da irrigação e de vários outros fatores. «O Norte de Minas é a região produtora que menos aplica agrotóxicos nos bananais, fazendo três aplicações por ano, enquanto regiões produtoras de São Paulo, por exemplo, fazem 12 aplicações, contra uma por semana na América Central, ou seja, 48 aplicações por ano», salienta Ivanete Pereira dos Santos. Gastando menos com agrotóxicos, é o adubo o insumo que mais onera a produção de banana no Norte de Minas. A caixa de banana com 22 quilos está sendo vendida atualmente a R$ 8,00.
A programação do seminário prevê, às 9h30, uma palestra sobre «A importância do associativismo no desenvolvimento da fruticultura do Norte de Minas», pelo ex-secretário estadual de Agricultura, Nuno Monteiro Casassanta, que também é produtor no Norte de Minas e que deverá reforçar a necessidade da união regional para se obterem mais ganhos.
Ivanete Pereira dos Santos explica que a Abanorte coloca à disposição dos produtores da região informações diárias sobre fruticultura e as cotações dos produtos, além de fazer visitas técnicas à produção integrada. A entidade ocupa uma vaga na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Fruticultura desde 2003. E a cada três mês se reúne para discutir os entraves nas diversas culturas da região.
A segunda palestra focará o tema «Introdução e avaliação de culturas alternativas para as áreas irrigadas do Vale do São Francisco», pelo pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa, especialista e responsável pelo setor de mangas, quando se discutirá a certificação das frutas. Uma das propostas é introduzir na região do semi-árido frutas como a maça, pera, rambotã e ameixa, pois, apesar de serem frutas de clima temperado, deram boa produtividade. Neste sentido, a Abanorte vai mostrar estas e outras opções de cultivo, mas deixando a critério dos fruticultores a decisão de aceitarem ou não o desafio.
Na parte da tarde, a primeira palestra enfocará o tema «A importância da fruticultura no agronegócio mineiro», com Pierre Santos Vilela, coordenador técnico da Federação da Agricultura de Minas Gerais, quando se discutirá a necessidade de o Governo mineiro definir ações que priorizem esta atividade, geradora de 60 mil empregos no Norte de Minas e grande geradora de renda, com a pretensão de se obter mais apoio para a produção integrada. Também o Sebrae-MG dará sua colaboração através do tema «Projeto Central de Negócios», buscando a união de todos os fruticultores numa central para comprar insumos e baratear os custos.
A fruticultura é uma grande geradora de emprego e renda no Norte de Minas, tendo movimentado R$ 160 milhões em negócios, em 2007, além de gerar 60 mil empregos, lembra o presidente da Abanorte, Dirceu Colares Moreira. Ele explica que a banana responde por 62% deste total, com R$ 100 milhões de negócios. «No Norte de Minas, uma região de clima semi-árido, solos férteis e boa estrutura, o uso da água do Rio São Francisco ou mesmo subterrânea na irrigação tornou possível, a partir da década de 80, transformá-la em região propícia para a cultura da banana.
Os números da Emater-MG sobre 2007 confirmam esta vocação; foram 9.356,50 hectares de banana prata e 1.022 de banana nanica, totalizando 10.378 hectares. A média de produção por hectare está em 1.350 caixas/ano, mas existem produtores com até 1.800 caixas/ano - enfatiza Moreira.
O custo de produção até o corte do primeiro cacho é de R$ 15 mil por hectare, gerando um emprego direto e dois indiretos. Na década de 90, a região chegou a ter 15 mil hectares plantados. De 1995 a 2000, a área plantada foi bastante reduzida e, atualmente, com a implantação da segunda etapa do Projeto Jaíba, a cultura volta a crescer.
«A idade média dos bananais é de 11 anos e apenas 58% dos produtores estão renovando suas plantações, mas em áreas 40% menores que as anteriores», alerta o dirigente da Abanorte. Ele explica que a banana do Norte de Minas traz ainda outras vantagens, como o maior volume da fruta, sua qualidade, cor e sabor constantes durante todo o ano. Sem falar da ausência da sigatoka negra, a maior praga dos bananais em todo mundo. A única desvantagem em relação a outras regiões produtoras é o fato de estar distante dos grandes centros consumidores, o que eleva os custos do frete, onerando os preços para o consumidor final.
Fonte: Jornal Hoje em Dia
Publicada: 28/10/08
