Pulverização de inverno: O melhor momento para iniciar o controle do psilídeo
O efetivo controle do psilídeo dos citros (Diaphorina citri Kuwayama) é um importante componente dentro do programa de manejo do HLB (Greening), como vêm mostrando as recentes pesquisas feitas na Flórida e em São Paulo. Nestes últimos anos, a experiência adquirida nestes dois locais tem mostrado que o mais efetivo caminho para o controle do psilídeo é composto por dois conceitos básicos: as aplicações de inseticidas durante o período de repouso das plantas e o trabalho conjunto dos citricultores fazendo as aplicações para o controle do psilídeo em grandes áreas simultaneamente.
A adesão à esta iniciativa tem sido ampla por parte de produtores e entidades ligadas ao agronegócio citrícola. No mês de maio/11 a revista Informativo Agropecuário da Coopercitrus (nº 295), divulgou importante matéria sobre o assunto:
Informativo Agropecuário Coopercitrus: Qual é o comportamento esperado das plantas no outono/inverno?
GCONCI: Durante o outono e o inverno, o clima em nossas condições é geralmente caracterizado por temperaturas amenas e período seco, levando as plantas dos citros a diminuírem drasticamente ou até mesmo cessarem a emissão de novas vegetações, das quais os psilídeos dependem para colocar ovos e se reproduzirem.
Informativo: Como o Psilídeo vive essa fase de repouso das plantas cítricas?
GCONCI: Os adultos do psilídeo passam, neste período, a se alimentarem em ramos maduros até que cheguem os primeiros e novos fluxos vegetativos.
Informativo: Qual a importância de se pulverizar na fase de repouso das plantas cítricas?
GCONCI: As aplicações atingem a praga quando ela está em seu ponto mais vulnerável (não há ninfas e nem ovos para serem controlados) e quando muitos dos insetos benéficos estão ausentes. A diminuição da população destes adultos no inverno evita que a população do vetor cresça de forma rápida quando chegarem às novas brotações, facilitando a manutenção de baixos níveis do vetor nas fases posteriores de desenvolvimento da planta.
Informativo: Quais as vantagens das pulverizações simultâneas ou coletivas em grandes áreas?
GCONCI: A maior eficiência do controle do psilídeo em grandes áreas é atribuída à capacidade e ao modo de dispersão da praga, que tem mostrado mover-se repetidamente entre pomares vizinhos em um movimento de vai e vem. Quando ocorrem diferenças nas datas de aplicações de inseticidas para o controle da praga em diferentes propriedades (principalmente em propriedades vizinhas), este movimento de ida e volta dos psilídeos podem resultar em rápidas reinfestações, apesar dos esforços individuais de cada citricultor para manter a população do vetor em baixos níveis.
As aplicações simultâneas em grandes áreas têm sido propostas como uma importante estratégia para a redução da dispersão do HLB. O primeiro objetivo é coordenar os esforços de controle do psilídeo para reduzir o efeito do movimento do inseto de um pomar para outro e desta forma diminuir a necessidade de repetidas aplicações de inseticidas.
Devido também a pequena quantidade de ingredientes ativos recomendados para o controle do psilídeo, as aplicações em grandes áreas podem contribuir no atraso no desenvolvimento de resistência das populações do inseto aos inseticidas utilizados, já que a sua adoção leva a um menor número de aplicações e defensivos
Informativo: O que se ganha adotando essas estratégias comentadas acima?
GCONCI: Intensificar de forma efetiva a supressão da população da praga durante o período de repouso das plantas cítricas;
- Menor pressão da praga no período de maior vegetação;
- Aumento na eficiência do controle da praga;
- Diminuição do número de aplicações de inseticidas, facilitando o uso rotacionado de modos de ação e permitindo assim, uma vida maior dos produtos das empresas;
- Redução no custo do controle do vetor;
- Reduzir ao mínimo possível o impacto na população de inimigos naturais.
Informativo: Diante da dificuldade de se coordenar ações coletivas, que estratégia pode ser adotada?
GCONCI: De acordo com o exposto e ratificado pela pesquisa e prática, recomenda-se que no período de inverno, na segunda semana de agosto, o citricultor, de forma individual, inicie o controle do psilídeo em seus pomares. Não importa a forma como ele faz o controle da praga durante todo o ano, o início seria na segunda semana de agosto. Ocorrendo chuvas repete-se a operação até antes da vegetação de florada. Esta interferência individual, baseada no clima e biologia da praga, adotada por todos, leva ao controle, no mínimo regional, ao mesmo tempo. Vantagem para o citricultor que terá um resultado muito melhor no controle de psilídeo em sua propriedade e para a região que terá supressão da praga em uma grande área.
Informativo: Porque uma data para iniciar o período de controle do psilídeo?
- Por enquanto o foco é mostrar ao citricultor a grande vantagem que ele tem ao fazer o controle do psilídeo, também no inverno, de preferência iniciando seu cronograma anual antes da vegetação de florada.
De agora em diante haverá a divulgação e conscientização para todos se prepararem para essa que pode ser o início de uma grande virada na citricultura.
Colaboração: Celso José da Silva - engenheiro agrônomo e RTC (representante técnico comercial) da Coopercitrus de Limeira, SP.
Fonte: Sanicitrus
Publicada: 08/08/2011
