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Rodovia redentora

A implantação e pavimentação de uma rodovia da produção, ligando Montes Claros à região do Projeto Jaíba, é sem sombra de dúvida, obra importante na região norte-mineira.

A implantação e pavimentação de uma rodovia da produção, ligando Montes Claros à região do Projeto Jaíba, é sem sombra de dúvida, obra importante na região norte-mineira. De apenas 150 quilômetros, irá interligar o Projeto Jaíba com o segundo entroncamento rodoviário nacional. Atualmente, a ligação Montes Claros-Jáiba é realizada por meio dos catetos, e a proposta é para uma ligação pela hipotenusa, visando ao escoamento da gigantesca produção in natura e agroindustrial processada.

A estrada da produção já está sendo implantada e pavimentada no subtrecho Montes Claros-São Pedro da Garça, numa extensão de 63 quilômetros; dos quais 45 se encontram pavimentados, sendo que 20 quilômetros, até São Pedro, estão implantados com toda a terraplanagem concluída e a obra contratada e paralisada por falta de recursos financeiros. O subtrecho São Pedro-Jaíba, com 90 quilômetros, percorre a margem esquerda do Rio Verde Grande, com as mesmas características geotécnicas e geológicas e com topografia suave, beneficiando as comunidades de Bom Jardim e Dinizlândia; encaixando no trevo, próximo ao aeródromo daquela cidade, atravessando as terras férteis desse setentrião mineiro. A cidade de Jaíba, dividida pelo Rio Verde Grande, foi emancipada a 15 anos, tornando-se hoje progressista, com previsão de nos próximos anos atingir uma população de 150 mil habitantes, tornando-se o segundo mais populoso município da região. O Projeto Jaíba, que engloba os municípios de Jaíba e Matias Cardoso, com previsão de irrigar 100 mil hectares, tornando-se o maior empreendimento de irrigação da América Latina, conta com 26.790 hectares irrigáveis na etapa 1 e, na etapa 2, de mais 19.322 hectares, totalizando 46.122 hectares irrigáveis, de uma área total bruta de 63 mil hectares, pois ai está incluída a reserva legal, estradas, canais, núcleos urbanos de apoio rural, com equipamentos mínimos como escola, posto de saúde, comércio e áreas internas, como corredores, áreas ocupadas pela sede, alojamento, galpões. Ora, já estão implantados 63,82% de áreas irrigáveis, já que terá um total de 67 mil hectares irrigáveis, sendo que toda infra-estrutura, como estações bombeamento e canais de distribuição de água, já está concluída. O projeto conta com 850 quilômetros de estrada, 400 quilômetros de canais, três estações de bombeamento principais, consumindo recursos de US$ 480 milhões.

O Projeto Jaíba explora culturas como cana-de-açúcar, banana, limão, manga, maior produtor nacional de sementes de olerícolas, mamão, maracujá, atemóia, coco, abacaxi, pinha, uva, abóbora, melancia, cebola, tomate industrial, cenoura, goiaba, morango e café. Os números das áreas plantadas de fruticulturas chegam a 13,2 mil hectares, 1,7 mil de olerícolas, 1 mil de café, 21 mil de cana-de-açúcar e 2 mil de tomate industrial. Temos que observar que, para suprir esse projeto de adubos, defensivos, tratores e peças, equipamentos de irrigação, combustíveis, materiais de construção, isso gera transportes, elevando bastante o tráfego de caminhões, carretas e veículos leves na rodovia.

O Projeto Jaíba integra uma das 31 metas do Plano Estruturador do Governo do Estado de Minas Gerais, a iniciativa privada está investindo altos recursos. Somente no segmento de bioenergia estão sendo implantadas cinco usinas de álcool de três grupos empresariais e uma de biodiesel; somente um dos grupos já detém cerca de 60 mil hectares no projeto e em seu entorno. Está sendo implantada moderna fábrica de sucos de frutas de um grupo paulista, além de vários park-house de processamento de frutas como o limão, manga, visando parte da produção à exportação.

Montes Claros é o centro de formação de mão-de-obra especializada, com várias faculdades e escolas técnicas que irão suprir esta demanda. Além de ter muita mão-de-obra ociosa, o Projeto Jaíba, última fronteira agrícola do Sudeste, está gerando muitos empregos, desde trabalhadores de baixa qualificação profissional até trabalhadores com alta qualificação; a fruticultura requer muita mão-de-obra e, por isso, tem grande impacto social. Se a nível de orçamento podemos considerar, a preços praticados hoje, em rodovia similar, de R$ 400 mil por quilômetro pra implantação de pavimentação de uma rodovia com estas características, chega-se à conclusão de que 90 quilômetros x R$ 400 mil irão exigir aproximadamente R$ 36 milhões, sendo que para o Projeto de engenharia serão precisos recursos de R$ 1,3 milhões (preços praticados hoje pelo Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais).

A estrada da produção (Jaíba-Montes Claros) é a rodovia que irá integrar a última fronteira agrícola do Sudeste em condição de produção todo o ano, alimentando 70 milhões de brasileiros, tornando-se ágil  o transporte, com economia de 100 quilômetros por viagem, já que a produção se destina aos principais centros brasileiros, como Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, interior e capital, Vitória, Brasília e Goiânia, como centros de distribuições, sendo, portanto investimento de retorno imediato. Essa rodovia estruturante é fundamental para o Projeto Jaíba e todo o Norte-mineiro, constituindo hoje a mais importante decisão política para imprimir maior ritmo de crescimento a toda economia da região.    

 

Fonte: Estado de Minas

13 de agosto de 2007

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