Uma década de bons frutos
Maior produtividade no campo proporcionou aumento da oferta de frutas para um consumo crescente. Preços encontram-se num patamar elevado em todos os segmentos, mas IPCA das frutas foi um dos mais baixos entre os itens do grupo alimentação e bebidas. Crédito rural para o setor quadruplicou. Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de frutas aumentou 19%, entre 2001 e 2009. A produtividade foi a principal responsável por esse incremento. Caju, maçã e manga tiveram os maiores aumentos de produtividade. Na primeira parte deste informativo, encontra-se a evolução de cada frutífera em termos de área colhida, produção e produtividade. Tanto oferta quanto demanda de frutas foram crescentes. O suprimento per capita, que é um reflexo do consumo de frutas, aumentou de 113 kg/hab/ano, em 2001, para 125 kg/hab/ano, em 2009, passando por um pico de 132 kg /hab/ano, em 2006. Oferta e demanda de frutas, aliados a outros fatores, como renda e mudança de hábitos alimentares, causam impacto nos preços em todos os segmentos das cadeias produtivas de frutas. No segmento produtivo há uma grande carência de dados de preços, especialmente, em algumas cadeias produtivas de frutas. Entretanto, algumas fontes mostram que os preços pagos aos fruticultores variaram positivamente, no caso dos bananicultores e dos citricultores e, negativamente, no caso dos produtores de manga. O saldo da balança comercial de frutas frescas, em 2010, foi de US$ 312,6 milhões: uma queda de 21% em relação ao de 2009 e de 46% em relação ao de 2007, ano com o maior saldo positivo na balança desde 1999. De 2007 até 2010, as importações de frutas cresceram 69% e o fluxo comercial de frutas atingiu o valor recorde de US$ 1,44 bilhão. Em 10 anos, o preço médio de exportação de frutas por quilo, saltou de R$ 0,82, em 2000, para R$ 1,64, em 2008, com pequeno declínio para R$ 1,44, em 2010. Maioria das frutas teve desempenho positivo de preços e volume exportado. O preço do coco se desvalorizou e o volume exportado de abacaxi caiu 90% entre 2009 e 2010. No segmento atacadista, o preço médio das frutas comercializadas pela Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), entre 2001 e 2010, aumentou 132%. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou 90% de aumento a partir de janeiro de 2001. O grupo alimentação e bebidas acumulou 110% de aumento; hortaliças e verduras, 46% e carnes, 178%; enquanto para as frutas, o acréscimo foi de apenas 16% nesse intervalo. Pera e tangerina apresentaram deflação entre 2007 e 2010. Nesses últimos quatro anos, a maior alta foi do abacaxi. Os recursos do crédito rural aplicados em investimento e custeio do setor frutícola aumentaram 340%, passando de R$ 429 milhões, em 2001, para R$ 1,89 bilhão, em 2010. Ao final do informativo são apresentados, sucintamente, os números do crédito por cultura frutífera.
Maior produtividade das frutíferas é principal responsável por aumento de produção
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2009, a laranja alcançou o maior valor da produção, R$ 4,7 bilhões, seguida de perto pela banana, com R$ 3,2 bilhões.Ambas ampliaram a produção mesmo com redução de área. Em valor da produção, a fruticultura brasileira atingiu R$ 17,7 bilhões em 2009, e está concentrada no Sudeste (38%) e no Nordeste (36%). A região Sul fica com 16%; a Norte, com 7%; e a Centro - Oeste, com 3% desse valor. Excluindo a laranja, o Nordeste passaria à frente, com 44% e o Sudeste ficaria com 24% do valor da produção de frutas. Laranjas, bananas, uvas, mamões, abacaxis, maçãs, cocos, melancias, maracujás, mangas, tangerinas, limões e melões foram, nessa ordem, os principais frutos colhidos, em 2009. Enquanto o valor da produção evoluiu com 128% de aumento, entre 2001 e 2009 o volume aumentou 19%; a produtividade, 14%; e a área colhida, apenas 5%, com base em dados do IBGE. Isso comprova que o aumento da produção de frutas ocorreu, principalmente, pela maior produtividade e, menos, pela expansão da área de produção, além de evidenciar a valorização do preço das frutas, que segue em ritmo semelhante ao das demais culturas agrícolas. A cultura do maracujá mostrou a maior expansão na área, 54%, entre 2001 e 2009, enquanto o abacate e a pera tiveram retração de 29% na área produtiva. Nesse período, a produção e a produtividade de caju foram as que mais cresceram: 78% e 50%, respectivamente, em termos de castanha de caju. Outros destaques em aumento da produção e da produtividade foram maçã, manga e coco. Mamão, banana, laranja e abacaxi, apesar da redução da área, tiveram aumento da produção, em virtude do aumento de produtividade.
Disponibilidade de frutas cresceu 1,41% ao ano até 2009
A disponibilidade per capita de frutas frescas cresceu 11%, entre 2001 e 2009, a uma taxa de 1,41% ao ano, mas foi decrescente (-4%), entre 2008 e 2009, excluindo dos cálculos a laranja, o cacau e as perdas ocorridas no trajeto do campo ao consumidor. A disponibilidade interna per capita é uma medida útil para se inferir sobre a oferta e a demanda de determinado produto e tem reflexo direto nos preços praticados no mercado, em todos os segmentos da cadeia. Como a elasticidade-renda para consumo de frutas é muito baixa, ou seja, o crescimento da renda tem pouca influência no aumento do consumo de frutas, a variação nos preços se deve mais à lei da oferta e demanda do que à variação no poder de compra. As mudanças nos hábitos alimentares indicam maior preocupação com a saúde e, portanto, maior consumo de frutas. Isso pode explicar, em parte, o aumento verificado nos preços, mesmo com oferta crescente. Banana, abacaxi e pêssego apresentaram queda na oferta nos dois períodos; o contrário ocorreu com melancia, manga, maçã e melão. No caso do melão, a oscilação na oferta é grande, em função de sua dependência do mercado externo. Em 2008, 62% da produção de melão foi exportada e, em 2009, com o mercado menos atrativo, apenas 46%. Esses fatores, aliados ao aumento da produção de melão, elevaram bastante a sua oferta no mercado interno, gerando queda nos preços pagos aos produtores.
Fruticultores: em geral, preços também subiram
Bananicultores e citricultores obtiveram altas expressivas nos preços.
Os dados referentes aos preços pagos aos produtores são mais restritos e mais difíceis de obter e mensurar. Com base nos dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), verificam-se comportamentos muito distintos de preços, conforme a cultura. A média de preços pagos para a banana, por exemplo, passou de R$ 3,76/cx, em 2000, para R$ 11,10/cx, em 2010: alta superior às ocorridas no atacado e varejo para o mesmo período. Já a manga tommy atkins produzida no Vale do São Francisco foi vendida à média de R$ 0,73/kg, em 2004, e R$ 0,68/kg, em 2010, quedas decorrentes de excesso de oferta e dificuldades de exportação. Nesse período, o preço da manga ao consumidor ficou estável, enquanto no atacado, a queda foi de 5%. O preço do mamão havaí rendeu ao produtor aumento médio de 19% desde 2004, enquanto os preços subiram 38%, no atacado, e 89% no varejo. Os produtores de laranja também obtiveram altas expressivas nos preços recebidos. O preço médio da laranja pera para o mercado interno passou de R$ 9,09/cx, em 2001, para R$ 16,61/cx, em 2010. Já a laranja para a indústria passou de R$ 6,67/cx para 12,90/cx, no mesmo período. As uvas obtiveram, de 2004 a 2010, em média, um acréscimo de 63% nos preços pagos aos produtores.
Saldo da balança comercial de frutas foi menor em 2010, mas preços no mercado externo continuam em alta
Em 2010, o saldo da balança comercial de frutas frescas foi o menor desde 2003, mas o fluxo comercial foi recorde. Desde 2004, as importações brasileiras de frutas vêm crescendo, especialmente, pela valorização do Real e aumento de renda da população. As exportações atingiram pico em 2008, queda em 2009, e nova ascensão em 2010. Entre 2001 e 2010, o preço das frutas exportadas pelo Brasil cresceu 38%, com destaque para o abacaxi (60%) e a banana (56%). Nesse período, as principais frutas registraram elevação dos preços, exceto o coco verde, com 31% negativos. Na comparação de preços negociados, em 2010 e 2009, os valores foram, em média, 2% maiores, mas somente limões (9%), uvas (7%), bananas (4%) e castanha de caju (1%) tiveram desempenho positivo.
Ceagesp: alta de 132% na média dos preços, desde 2001
Mamão havaí, tangerina poncã, uva itália e laranja pera foram as frutas que mais aumentaram de preços por atacado; mamão formosa e coco verde apresentaram menores aumentos. Na análise de uma cesta com 28 frutas vendidas pela Ceagesp, entre 2001 e 2010, constata-se um aumento de 25% no volume comercializado, que passou de 911 mil toneladas para 1,14 milhão de toneladas. Nesse período, os preços alcançaram a média de 132%. Já o volume caiu 3% e os preços elevaram-se em 11%, nos últimos dois anos. Em 2010, a quantidade comercializada de banana prata proveniente de Minas Gerais, coco, manga tommy e maracujá azedo obtiveram aumentos superiores a 20%; as maiores altas de preços foram verificadas na laranja lima (62,87%) e laranja pera (45,62%), que apresentaram em volumes comercializados, decréscimo de 19,91% e 12,28%, respectivamente.
Frutas contribuíram para desacelerar a inflação
Em 10 anos, a inflação das frutas foi menor que a do índice geral do IPCA e mais baixa que a de hortaliças e verduras, açúcares e derivados, cereais e leguminosas, e farinhas, féculas e massas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado entre janeiro de 2001 e dezembro de 2010 revela que o preço das frutas ao consumidor subiu menos que outros itens do grupo alimentação e bebidas. Enquanto as frutas acumularam 16%; as carnes acumularam 178%; as hortaliças e verduras, 46%; os açúcares e derivados, 136%; e os cereais, leguminosas e oleaginosas, 142%. Num período mais recente, entre 2007 e 2010, o índice acumulado das frutas continuou mais baixo que o dos demais itens. Separando os itens do grupo frutas, nota-se que pera e tangerina foram os únicos a acumular índices negativos, nos últimos quatro anos. Nesse período, as maiores altas foram do abacaxi (94%), da banana-maçã (73%) e da goiaba (68%). As frutas que mais contribuíram para a queda do índice das frutas foram, além de pera e tangerina, maçã, limão e mamão. No período anterior a 2007, tangerina e ameixa acumularam fortes índices negativos, enquanto laranja (118%) e limão (111%) se destacaram com as maiores altas. Os sucos de frutas também estão mais acessíveis. Acumularam alta de 13% em quatro anos, abaixo dos 23% registrados para bebidas e infusões e a maioria das frutas.
Resumindo: A produção de frutas aumentou 19% de 2001 a 2009, principalmente, em decorrência de maior produtividade. A disponibilidade per capita cresceu 11%, nesse período. Os preços elevaram-se em todos os segmentos de mercado, entre 2001 e 2010: no comércio atacadista foram 138% maiores; os preços de exportação subiram 38%; enquanto a alta no varejo, conforme dados do IPCA, foi de 16% para o grupo frutas.
Crédito rural para frutíferas cresce 340% em 10 anos
Crédito para investimento cresceu 382%, desde 2001; e custeio aumentou 336%. Os recursos do crédito rural aplicados em frutíferas crescem ano a ano. Em 2010, o total aplicado em investimento e custeio totalizou R$ 1,89 bilhão, 5% mais em relação a 2009. A cultura da laranja é a maior tomadora de crédito, com R$ 795 milhões aplicados em 2010, o que representa 42% do total aplicado em todas as frutas. A viticultura tomou um total de R$ 276 milhões em investimento e custeio, além de R$ 182 milhões em recursos para apoio à comercialização de uvas e derivados. Maçã e banana aplicaram, em 2010, respectivamente, R$ 158 milhões e R$ 154 milhões em investimento mais custeio. A maçã ainda teve R$ 106 milhões aplicados pela Linha Especial de Crédito (LEC) para comercialização. Goiaba, manga, maracujá e pêssego também se beneficiaram com a LEC em 2010. Merece destaque, o açaí, pelo volume de recursos aplicados em investimento, que alcançou R$ 23 milhões no último ano. Os investimentos recuaram 11% em 2010, comparando-se com 2009. Açaí e maracujá, entretanto, aplicaram 90% e 7% a mais em 2010. As aplicações de custeio em 2010 foram 8% maiores que em 2009, com destaque para maçã, com aumento de 27%. No total, os recursos aplicados em investimento e custeio passaram de R$ 429 milhões, em 2001, para R$ 1,89 bilhão, em 2010, aumento de 340%.
Fonte: MAPA
Publicada: 16/03/2011
