ABANORTE apresenta ao Governo Federal Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Fruticultura do Norte de Minas Gerais
Este projeto propõe articulação de agentes sociais capazes de imprimir uma transformação auto-sustentada, através da implementação de projetos que efetivamente viabilizem o desenvolvimento regional e social integrado do Norte de Minas.
ABANORTE apresenta ao Governo Federal Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Fruticultura do Norte de Minas Gerais
No último dia 13/07/2007 a Abanorte esteve em Brasília (DF), representada pelo seu presidente, Sr. Dirceu Colares, juntamente com o representante do SEBRAE Minas da microrregião de Janaúba, Sr. Jadilson Borges, com o objetivo de apresentar a diversas instituições federais o plano para desenvolvimento do Arranjo Produtivo da Fruticultura do Norte de Minas Gerais, pleiteando recursos da ordem de mais de R$1 milhão.
O Arranjo Produtivo de Fruticultura do Norte de Minas detém a maior parte da região semi-árida do Estado de Minas Gerais, englobando sub-regiões bastante heterogêneas, onde contrastam municípios com pólos de atração de investimento, com bom dinamismo econômico. A importância do fortalecimento e da promoção do desenvolvimento deste arranjo produtivo se justifica no entendimento da história regional, das intervenções públicas realizadas ao longo do tempo (principalmente os investimentos em irrigação a partir da década de 70) e das principais limitações ao seu desenvolvimento integrado.
O Arranjo Produtivo de Fruticultura do Norte de Minas tem sua origem nos investimentos públicos em perímetros irrigados, com a implantação dos projetos Gorutuba (Nova Porteirinha), Jaíba, Lagoa Grande (Janaúba) e Pirapora, que totalizam hoje 34.850 ha em operação. A vocação frutícola da região iniciou-se na década de 80, com os primeiros plantios de banana na região de Janaúba e de uva em Pirapora.
A governança do APL é conduzida pela Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas – ABANORTE, com sede em Janaúba. Fundada em 1993, a Abanorte inicialmente denominava-se Associação dos Bananicultores do Norte de Minas. Posteriormente foi modificada a razão social para Associação dos Bananicultores e Fruticultores do Norte de Minas. Sua ação mostrava-se pontual, com aproximadamente 50 produtores associados, dos quais grande parte inativa. Ao longo do tempo a associação passou por um processo de desgaste e regressão.
A forte crise vivida pela bananicultura do Norte de Minas no segundo semestre de 1997 instigou os produtores a buscarem uma forma de organização mais estruturada, capaz de enfrentar essas dificuldades. Propôs-se, então, uma mudança na estrutura da entidade, que permitisse sua atuação como colegiado e com maior abrangência enquanto órgão de representação. Para tanto, foram feitas profundas mudanças no estatuto social da entidade, que passou a denominar-se Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas, e tendo como associados pessoas jurídicas (associações, cooperativas e outras formas de representação local, como sindicatos rurais, distritos de irrigação etc). Em sua última alteração estatutária, a Abanorte passou a permitir como sócios-colaboradoras empresas de maior expressão na produção regional de frutas, que passaram a contribuir financeiramente com os principais projetos da instituição.
Para consolidação e fortalecimento da governança do APL, a Abanorte se qualificou como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público em nível Federal, em 2005, e Estadual, em 2006. A marca Abanorte está em processo de registro junto ao INPI.
Atualmente, a Abanorte congrega quinze entidades e empresas, que representam aproximadamente 3.500 sócios (pequenos, médios e grandes produtores de frutas).
Este trabalho será realizado na área de influência dos pólos regionais de fruticultura (Jaíba, Janaúba e Pirapora). São cerca de 7 mil empreendimentos rurais e urbanos ligados à fruticultura, chegando a cerca de 100.000 pessoas ocupadas em torno dessa atividade, o que corresponde a 4,5% da população do Norte de Minas.
Ligados à fruticultura encontram-se os setores de produção de insumos (defensivos, fertilizantes, mudas, sementes e material genético, maquinas e equipamentos), de produção (pequenos produtores não integrados, pequenos produtores integrados, médios e grandes produtores especializados, médios e grandes produtores verticalizados), de processamento (indústria de sucos, indústria de polpas, indústria de doces), de distribuição (intermediários e atacadistas não especializados, agentes e atacadistas especializados, centrais de compras e de distribuição - CC e CD) e os consumidores finais (varejo, mercado institucional, super/ hipermercados, fast-foods, mercado externo).
Existem várias empresas e instituições que de forma determinante atuam na região, que colaboram e desenvolvem projetos e programas visando o fortalecimento do setor frutícola da região. Estas empresas e instituições, de forma geral, dão suporte as ações dos agendes da cadeia de produção da fruticultura regional, participando efetivamente das discussões e projetos desenvolvidos pela Abanorte.
Este projeto propõe articulação de agentes sociais capazes de imprimir uma transformação auto-sustentada, através da implementação de projetos que efetivamente viabilizem o desenvolvimento regional e social integrado do Norte de Minas.
Um amplo diagnóstico estadual, elaborado em 2001 pelo SEBRAE Minas, ofereceu os pressupostos e as primeiras direções para uma atuação coordenada e mais efetiva na região. Dentre os diversos problemas identificados, a articulação das diversas instituições atuantes na região e uma visão integrada das ações em curso foram os pontos de maior preocupação. Muito se investe na região, mas pouco é compartilhado de uma visão sistêmica.
Desde 2004, o SEBRAE Minas vem implementando um modelo de planejamento e gestão de projetos junto a Abanorte (GEOR – Gestão Orientada para Resultados), permitindo a definição clara de objetivos e metas a serem cumpridas, apesar de possuir uma visão de prazo relativamente curto, com horizonte de planejamento para três anos.
Este projeto de desenvolvimento do arranjo produtivo local foi elaborado a partir de diversos estudos desenvolvidos pelas instituições de ensino, pesquisa e extensão, em consonância com as diretrizes de ação da Abanorte e com a colaboração de entidades voltadas para o desenvolvimento do agronegócio regional.
Pela sua dimensão e complexidade, o APL Fruticultura do Norte de Minas ainda demanda ações estruturantes, voltadas para (i) consolidação do APL, (ii) fortalecimento da governança e (iii) aperfeiçoamento das parcerias. Ainda, demanda ações de inteligência, inovação e planejamento de longo prazo, criando uma visão de futuro estruturada e ações, a partir desta, que garantam a sustentabilidade e o crescimento do negócio frutícola na região, como melhor forma de desenvolvimento, geração de renda e empregos.
Diversas ações vêm sendo executadas neste decênio e corroboram para atingir os objetivos acima. O processo de reestruturação e saneamento da Abanorte, iniciado em 2003, permite hoje que a entidade exerça seu papel de liderança entre os empresários da fruticultura regional e capitaneie as iniciativas propostas neste projeto.
A sustentabilidade do negócio frutícola depende, estritamente, da eficiência gerencial, da qualidade dos produtos ofertados e da inovação permanente. Desde a implementação do plano Real, os produtores de frutas convivem com a redução de preços de seus produtos, hoje com valores reais 20% a 50% menores que os observados em 1995. A redução de custos e a gestão eficiente dos recursos são, então, premissas para a sustentação econômica da atividade. A inovação tecnológica passa a ser ponto de apoio fundamental para desenvolver sistemas de produção mais racionais e competitivos e que permitam melhorar dia-a-dia a eficiência e a qualidade dos produtos nas lavouras.
A abertura de novos canais de comercialização, principalmente no mercado internacional, visa ampliar as opções de negócio e garantir estabilidade ao produtor, com oportunidades de negócio em momentos de maior oferta, e normalmente de menores preços, no mercado interno. Inúmeros são os casos já relatados na região de depressão de preços e comprometimento da renda e do emprego. Ainda, a logística é uma das maiores barreiras ao crescimento da participação regional na exportação de frutas, ponto que merece estudos específicos, assim como investimentos em infra-estrutura e na instalação de um porto seco.
Espera-se ao final deste trabalho proporcionar melhoria da competitividade e sustentabilidade na cadeia de produção frutícola regional. Especificamente pretende-se:
1) Fortalecer o cooperativismo e o associativismo através:
a. do desenvolvimento e sistematização de plano de ação para a reorganização administrativa de associações e cooperativa;
b. da implementação de modelos modernos de gestão (inclusive certificação ISO);
c. da capacitação de recursos humanos nas associações e cooperativas;
d. da análise e implementação de novas formas jurídicas de organização (condomínios
rurais).
2) Desenvolver novos mercados para a fruticultura norte mineira através:
a. do desenvolvimento de canais de comercialização (mercados interno e externo);
b. da identificação e difusão de novas formas de financiamento da produção agrícola;
c. da capacitação de empresas para atuação no mercado internacional;
d. da criação e disponibilização de uma rede de contatos comerciais no exterior.
3) Gerar pesquisas e inovação para o APL de fruticultura através:
a. da identificação de variedades de manga que se adaptem a região e tenham nichos de mercado ainda não explorado pelos produtores da região;
b. da identificação de porta-enxertos de limão resistentes a gomose;
c. do desenvolvimento de técnicas para convivência e controle do mal-do-panamá na cultura da banana.
4) Criar a rede de centros tecnológicos e apoio ao APL através:
a. da estruturação da rede;
b. da implementação da Plataforma de Informações Tecnológicas e de Mercado do APL.
Os Indicadores de Resultado são:
1) Fortalecer o cooperativismo e o associativismo:
2) Desenvolver novos mercados para a fruticultura norte mineira
3) Gerar pesquisas e inovação para o APL de fruticultura:
4) Criar a rede de centros tecnológicos e apoio ao APL:
As Ações Previstas são:
1. Fortalecimento do cooperativismo e do associativismo regional;
2. Pesquisa e desenvolvimento para a competitividade e sustentabilidade da fruticultura no Norte de Minas: Desenvolvimento de novos mercados para a fruticultura norte mineira;
3. Apoio à Pesquisa e a Inovação em APL’s: Geração e transferência de tecnologia para a fruticultura;
4. Criação da Rede de Centros Tecnológicos e Apoio ao APL Fruticultura Norte de Minas.
A Abanorte, através do seu conselho diretor, irá acompanhar o desenvolvimento das ações previstas no plano de trabalho, junto com os coordenadores dos projetos, e monitorará os executores, para que o trabalho se realize conforme proposto e tenha o alcance esperado.
O acompanhamento e a gestão dos projetos serão feitos através do Ms Project (sistema de acompanhamento de projetos) trimestralmente, avaliando-se os indicadores e resultados preliminares e apresentando-os às fontes financiadoras.
Fonte: Abanorte
