Barras de frutas, a nova geração dos saudáveis
O potencial desse tipo de produto é enorme, pode alcançar um consumo maior do que as barras de cereais.
Foi convivendo com uma tribo colombiana, há vinte anos, que Siefrid Weiss aprendeu a desidratar bananas. Da simples técnica, surgiu uma empresa batizada de Banana Brasil , que começou fabricando um doce batizado de charuto de banana, retirado do mercado por lembrar cigarro. Hoje, depois de corrigir a trajetória, a empresa colhe os frutos de ter apostado em um produto saudável muito antes de o assunto virar moda.
Sediada na pequena Schroeder, uma região montanhosa de Santa Catarina, a Banana Brasil foi a pioneira na fabricação da barra de frutas (sempre à base de banana). Aposentou o charuto e criou a marca Supino, ligada ao mundo dos esportes, e tornou-se alvo de interessados em associar sua imagem a produtos saudáveis.
Há três meses, fechou contrato com a Rede Globo para criar a marca Supino Malhação, programa voltado ao público jovem. "As metas de vendas foram superadas já no primeiro mês", afirma Claudemir Fodi, presidente da companhia e genro do fundador. Já fornece para a Ocean Air e está fechando um grande contrato com outra companhia aérea. A Nielsen também procurou a empresa porque pretende começar a auditar esse mercado.
Familiar e fechada, a Banana Brasil não abre seu faturamento e Claudemir titubeia em divulgar sua estratégia com medo da concorrência. Diz apenas que cresceu 65% em três anos. Para o segundo semestre deste ano, a expectativa é crescer 28% em relação aos primeiros seis meses do ano. "Tem muita gente grande de olho nesse mercado", afirma Fodi.
As barras de frutas surgiram como um produto interessante não só pelo apelo natural como também pela enorme concorrência que já existe nas barras de cereais, onde a margem de lucro está cada dia mais apertada. A equação é mais rentável. Além de a principal matéria-prima, a banana, ser um produto barato, as barras de frutas são mais lucrativas porque chegam ao ponto-de-venda entre 15% e 20% mais caras do que as barras de cereais.
O sucesso e apelo do produto já chama a atenção de outras empresas. Entre elas, a Ritter, fabricante de geléias do Rio Grande do Sul, que lançou uma linha de barras de frutas e a Montevérgine, companhia de São Paulo que fabrica torrones e agora tem uma linha que inclui palitos de banana e bananas com chocolate.
A Nutrimental, que tem a liderança com as barras de cereal Nutry, também acaba de estrear nesse mercado com três sabores: banana, ameixa com banana e castanha do pará com cupuaçu - esta última sem a presença de banana na sua composição, uma novidade desse mercado. A empresa investiu R$ 2 milhões no projeto, que envolveu uma equipe de 15 pessoas trabalhando oito meses no desenvolvimento das barrinhas.
De capital nacional, com um faturamento de R$ 230 milhões no ano passado, será a maior empresa a fabricar barras de frutas. "O potencial desse tipo de produto é enorme, pode alcançar um consumo maior do que as barras de cereais", afirma Ronaldo Pinto Flor, diretor executivo da Nutrimental. A expectativa da Nutrimental é que no primeiro ano as barras de frutas representem 10% das vendas de barras de cereais - número que a companhia não informa - e, no segundo ano, fique entre 20% e 25%.
O executivo conta com o pequeno porte das demais empresas para sair na frente. "Ainda é um mercado muito amador", diz, cutucando a concorrência. No pequeno varejo, a nova geração de barras também disputa espaço com as chamadas bananinhas caseiras, com adição de açúcar, e as bananas passas feitas artesanalmente. "São produtos completamente diferentes, desde a escolha da matéria-prima até o processamento", diz o diretor da Nutrimental.
O curioso dessas barras é que todas são envoltas em chocolate. Até porque, além do apelo natural, a quantidade de calorias é fundamental nesse segmento. E o chocolate não tira o apelo natural do produto? "O chocolate também é um produto natural e equilibrando a quantidade de cacau, gordura e açúcar, pode ter pouca caloria", diz Pinto Flor. No mercado de barras de cereais, as versões com chocolate -que começaram a ser produzidas há três anos - já respondem por 50% das vendas.
Para não afastar os que se preocupam com a saúde, mas também com a boa forma, as empresas criaram a versão light até das barras de frutas - quase sempre mudando a fórmula do chocolate.
Fonte: Daniela D`Ambrosio
