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Começa a safra da laranja em SP

 

A colheita da laranja está começando em São Paulo. E os produtores enfrentam o mesmo problema de 2006: o preço da caixa da fruta, negociado com as indústrias de suco.

Os citricultores de São Paulo produzem 80% de toda a laranja que sai dos pomares brasileiros. E a colheita de 2007 deve ter um crescimento de quase 3%.

O clima ajudou e a área em produção é 2% maior. Mas os agricultores estão descontentes com o preço. Eles negociam os contratos com as indústrias com base no dólar, e o câmbio ficou desfavorável. É o que reclama o produtor Marco Antonio dos Santos, do município de Taquaritinga (SP). Ele recebe mais de U$ 3,00 pela caixa, mas acha o valor insuficiente. “Nesses valores de patamar U$ 3,30, U$ 3,50, U$ 3,70 não cobre em o custo de produção e o prejuízo é muito grande”, diz.

Insatisfeitos, alguns produtores desistiram de negociar melhores preços com a indústria. Eles optaram pelo mercado spot, aquele em que o citricultor vende a fruta à indústria sem contrato prévio e recebe a cotação do dia.

Nesse tipo de venda, que é feita na porta das indústrias, o produtor recebeu essa semana R$ 11,70 pela caixa. É o caso da família do seu Edeman Estevo Jr., do município de Nova Europa (SP). “A gente está correndo um sério risco por não ter fechado esse contrato, a gente está arriscando, tentando ter uma margem um pouquinho melhor no final da safra”, fala.

Os produtores com contrato em vigor iniciaram uma negociação com as indústrias para melhorar o preço da caixa. Em 2006 os citricultores conseguiram um abono de U$ 1,29 sobre o preço que vinham recebendo. Mas esse acordo valeu apenas para a safra passada. Em 2007 tiveram que começar tudo de novo. E, desta vez, com uma dificuldade a mais: o preço do suco no exterior teve uma queda de 17% de um ano para cá. O representante da Federação da Agricultura diz que, mesmo assim, o produtor não pode receber menos do que R$ 11,00 pela caixa. “Tem que ser muito próximo do R$ 11,00 porque é o custo da citricultura. E nós já estamos vindo, devido a essa política cambial brasileira, em prejuízo nos últimos dois anos e o citricultor não consegue mais agüentar esse prejuízo do preço da laranja. Então nós temos que falar em real esse ano, não nos aventurarmos em dólar, porque o dólar ninguém sabe onde vai parar, e falar nos R$ 11,00. claro que tem uma negociação, mas o preço base é esse“, fala Antonio Crestana, coordenador de citricultura da Faesp.

Em São Paulo, o Globo Rural conversou com Ademerval Garcia, presidente da Abecitrus, a associação que representa a indústria. Perguntamos se a negociação do contrato em real, e não em dólar, é uma possibilidade: “olha, acho que a gente tem que estudar tudo. Já houve momento em que o produtor queria o preço em dólar, porque o real estava muito desvalorizado em relação ao dólar. Então se dolarizou um negócio que já estava em real. Agora tem uma angústia na direção diferente, quer dizer, vamos transformar isso em real. Eu acho que não tem nada fora da mesa, mas é evidente que isso leva em conta a divisão de riscos. Você não pode concentrar risco de um lado e favorecimentos de um outro”.

Na terça e na quarta-feira, os representantes da federação da agricultura e da indústria se reúnem novamente em São Paulo para continuar a negociação.

Data Edição: 06/08/07    
Fonte: Globo Rural    

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