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Da Itália para o Brasil

“Produtores integrantes do projeto Fruta Paulista conheceram de perto as novidades do exigente mercado consumidor europeu, trazendo bons negócios na bagagem de volta.”

Oportunidade em negociar com compradores estrangeiros, novas tecnologias, inovação em embalagens, exigências do mercado europeu e novas tendências em fitossanidade foram alguns temas que 29 produtores rurais do Estado de São Paulo, a empresa Newtrade, a Associação das Indústrias Processadoras de Frutas Tropicais –(ASTN) e a Associação dos Produtores e Exportadores de Limão (ABPEL) conferiram durante a participação na 24º edição da Macfrut, feira internacional realizada em Cesena, na Itália, de 26 a 28 de abril. Os participantes realizaram 171 contatos durante o evento, o que proporcionou a geração de US$4 milhões em negócios e previsão para mais US$5,7 milhões nos próximos 12 meses. Com isso, as empresas esperam gerar mais 126 novos postos de trabalho.

Esta foi a primeira ação internacional do Projeto Fruta Paulista, realizado pelo Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), em parceria com o Sebrae-SP, com apoio da Apex-Brasil (Agência de Promoção de Exportações e Investimentos). Conforme Maurício de Sá Ferraz, gerente da Central de Serviços de Exportação e coordenador do projeto, “muitos dos produtores, que foram à feira, não conheciam o mercado internacional. A ação foi enriquecedora, pois eles puderam saber as exigências do mercado, direto do comprador, e conhecer as tecnologias disponíveis na Europa e no mundo”. Também foram realizadas visitas técnicas à produção de frutas temperadas, onde tiveram a oportunidade de conhecer o sistema de produção na Itália; a uma cooperativa de produtores e distribuidores, para analisar o processo de distribuição utilizado e a importância do cooperativismo. Visitaram o mercado hortifrutícola (Ceasa), onde conferiram como as frutas são comercializadas, embaladas e acondicionadas: e verificaram ainda a participação das frutas brasileiras como: limão tahiti, manga e papaya neste canal de distribuição.

Segundo Renato Leme, representante da Cooperativa Agroindustrial Holambra, “nos mercados municipais visitados, existe uma estrutura de apoio à comercialização, com organização, limpeza e programas que viabilizam a comercialização realizada por produtores rurais”. Leme constatou que “a exigência do consumidor europeu está muito atrelada à apresentação do produto, sua qualidade aparente, sabor e higiene”. Durante a feira, observou a presença de empresas capacitadas a oferecer produtos de qualidade elevada, embalagens práticas e resistentes, além de equipamentos para processamento pós-colheita. Lourenço Nyssen, diretor da Associação de Horticultores de Itapetininga e Região, também ficou impressionado com a qualidade da apresentação do produto final, utilizando embalagens bem feitas, caixas coloridas, selos, etiquetas, rótulos, recursos para causar uma boa impressão ao consumidor e diferenciar a marca.

Os negócios não foram efetivados no momento da feira, mas Leme afirma que foram feitos contatos com prováveis representantes comercias e pesquisadores do mercado europeu para identificar oportunidades de negócios futuros, conforme explica “para exportarmos nossos produtos, é necessário identificar janelas de oferta, onde seja entressafra para o atacadista europeu”. Para Nyssen, os resultados foram positivos “fizemos contato com compradores da Itália e Rússia, vamos enviar algumas amostras e esperamos efetivar negócio até o próximo ano”.

TENDÊNCIAS E TECNOLOGIA

Máquinas e equipamentos italianos já possuem uma tradição mundial em termos de tecnologia e qualidade a Macfrut apresentou num pavilhão exclusivo para a exposição de novidades nesta área. Reginaldo Vicentim, diretor da Coagrosol – cooperativa de produtores em Itápolis(SP), identificou novas tecnologias em equipamentos mais acessíveis, que, há poucos anos, seria inviável para empresas menores. Novas tendências de mercado também foram analisadas por Vicentim: “as visitas técnicas foram muito interessantes para conhecer o formato de trabalho das frutas, no atacado e varejo, e as novas tendências de comercialização na Europa”. O diretor fez vários contatos com importadores da Itália e espera realizar negócios em breve.

MERCADO ITALIANO

A Itália, apesar de possuir uma produção de 5,8 milhões de toneladas de frutas, conforme dados divulgados pela Cesena Fiera - organizadora da Macfrut, ainda precisa importar 1,4 milhões de toneladas (2006), sendo mais da metade de frutas tropicais. O consumo familiar de frutas, em 2006, foi de 207 quilos, um aumento de 2,7% comparando com o ano anterior (202 quilos) e representou um gasto médio de 275,9 euros, 5,6% a mais do que em 2005, cujo gasto foi de 262,3 euros.

SUCOS, INOVAÇÃO PARA CONSUMO

O mercado de sucos da América Latina e as tendências mundiais para o setor foram apresentados durante o Juice Latin América, congresso que reuniu cerca de cem executivos do Brasil e de países como Argentina, Chile, Costa Rica, Espanha, Egito, Honduras, Jamaica, México, Rússia, Inglaterra, Estados Unidos e Uruguai. Atualmente, o mercado global de sucos e néctares movimenta 37,2 bilhões de litros e a América Latina participa com 2 bilhões, conforme dados da Canadean, apresentados por Axel Reinhardt, da empresa Dohler América Latina.

Vários palestrantes atentaram para a inovação para aumentar o consumo de sucos e bebidas, principalmente em mercados tradicionais como Europa e Estados Unidos. A tendência para estes países é o aumento da demanda por matérias primas saborosas e nutricionais, tais como as funcionais, fortificados, de frutas exóticas, energéticos, etc. Jeanette Bengtsson, gerente do departamento de bebidas não alcoólicas do Euromonitor, aponta, também, para o “marketing de objetivo” como uma nova tendência. Ou seja, agregar valor ao produto estabelecendo alguma função, por exemplo: combate ao colesterol, energético (com ginseng), combate a gripe (vitamina C), estratégia que já vem sendo adotada por algumas empresas com bons resultados.

Para os países emergentes, a demanda tende a crescer. De acordo com a previsão do Euromonitor, até 2011 haverá um crescimento substancial, principalmente, na Ásia (7,7%), Leste Europeu (5,7%), África e Mediterrâneo (6,2%) e América Latina (5,7%).

Rússia e China

A Rússia possui 144 milhões de habitantes, que vem demandando cada vez mais sucos, devido à abertura de mercado. Em 2000, foram consumidos 915 milhões de litros; já em 2006 foram 2,5 bilhões, representando um crescimento de 180% em 6 anos. A previsão de consumo para até 2010 será de 3,5 bilhões, segundo dados da Key Factors, empresa de consultoria do mercado russo.

A média de consumo russo per capita por ano é de 16 litros, cujo valor salta para 50 litros na capital Moscou. A preferência de sabor é por maçã, seguido por laranja, pêssego, uva e abacaxi. Os principais países supridores são China, Holanda, Bélgica, Israel e Brasil. Conforme Dirk Kappes, representante da Key Factors, “a Rússia depende muito de importação e, atualmente, a América Latina possuiu uma pequena participação, como supridor de matéria prima”. Para ele, “ainda há grandes oportunidades e o momento é agora, pois a expectativa é de crescimento de 8% ao ano, nos próximos 3 anos”.

A China, com uma população de 1,3 bilhão, também é considerado um mercado interessante. O consumo atual de sucos na China é de apenas 1 litro por pessoa, segundo dados do China Beverage. A tendência é de aumento da demanda devido a uma maior consciência de vida saudável entre os chineses, além do crescimento da renda familiar. Segundo a instituição, nos últimos 3 anos, já houve crescimento de 30% no consumo e o cenário deve continuar nos próximos anos.

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Matéria retirada da Revista Frutas e Derivados.
Site: http://www.ibraf.org.br/revista/revista.asp

 

Data Edição: 30/07/07    
Fonte: Revista Frutas e Derivados

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