Banana e mamão são contemplados com a LEC
A agroindustrialização, além de contribuir para a diminuição das perdas, agrega valor às frutas, possibilita o armazenamento e a comercialização em épocas de preços mais favoráveis e favorece as exportações.
Os problemas ao longo do canal de comercialização são os principais fatores de perdas e da baixa qualidade das frutas e verduras que chegam à mesa do consumidor. Uma saída para diminuir as perdas de frutas é a transformação. Frutas de baixa qualidade ou que não se classificam para o consumo in natura podem ser aproveitadas para a fabricação de sucos, doces, polpas, dentre outros produtos processados ou minimamente processados. A agroindustrialização, além de contribuir para a diminuição das perdas, agrega valor às frutas, possibilita o armazenamento e a comercialização em épocas de preços mais favoráveis e favorece as exportações. O processamento da banana e do mamão ainda representa muito pouco em relação ao total produzido no país.
A demanda brasileira de polpa de mamão e de banana está estimada entre 1.500 a 2.000 toneladas/ano e 4.000 a 4.500 toneladas/ano, respectivamente. A demanda mundial para a polpa de mamão está estimada entre 10.000 a 15.000 t/ano, considerando a polpa integral; e de 140.000 e 180.000 toneladas por ano para purê de banana com 20° a 22° Brix. A oferta internacional de purê de banana é
maior que a demanda, estimada em 200.000 a 220.000 toneladas/ano1.
No intuito de auxiliar os setores produtivo e agroindustrial da banana e do mamão, o governo autorizou, no último dia 22 de junho deste ano, a inclusão dessas duas frutas na Linha Especial de Crédito (LEC) e manteve o benefício para abacaxi, goiaba, maçã, manga, maracujá e pêssego. A LEC poderá auxiliar tanto produtores quanto agroindústrias que beneficiem ou processem essas frutas concedendo crédito
para a comercialização em melhores condições de preço e de mercado. Este informativo traz um panorama do mercado da banana e do mamão no Brasil e no mundo.
Mercado internacional
O comércio mundial de frutas frescas movimentou US$ 70,2 bilhões em 2008. Entre 2004 e 2008, esse mercado cresceu a uma taxa de 13% ao ano. As exportações brasileiras de frutas frescas representaram, em 2008, 1,37% do mercado mundial, o que o coloca em 21º lugar no ranking dos maiores exportadores de frutas frescas. Os Estados Unidos da América aparecem em 1º lugar, seguidos por Espanha, Holanda (entreposto comercial), Itália, Bélgica (entreposto comercial) e Chile. Os principais
destinos comerciais das frutas brasileiras são Holanda, EUA e Inglaterra.
Banana
O comércio internacional de bananas movimentou, em 2008, US$ 8,34 bilhões, dominado pelo Equador, com US$ 1,64 bilhão exportados, o que representa 19,7% de participação no mercado mundial. Em segundo lugar figura a Bélgica (18,5%), que funciona como porta de entrada do produto para o mercado europeu. Em terceiro lugar aparece a Costa Rica (8,5%), seguida pela Colômbia (7,8%). O Brasil ficou em 24º lugar no ranking mundial e exportou US$ 35,6 milhões em 2008, principalmente, para
Uruguai, Inglaterra, Argentina, Itália, Holanda, Alemanha e outros.
Mamão
Em 2008, o mamão papaya movimentou US$ 183,8 milhões no comércio mundial. O México é o maior exportador, com 29% do mercado, seguido pelo Brasil, com 21% (US$ 38,6 milhões). A Holanda é o principal parceiro comercial do mamão papaya brasileiro, recebendo 23,7% do total exportado, seguido por Portugal (16,0%), EUA (13,7%), Espanha (11,7%) e Inglaterra (10,6%).
Evolução das exportações brasileiras: volume e preço médio

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Em 10 anos, os volumes exportados de banana e mamão aumentaram 77% e 75%, respectivamente.
Os preços médios de exportação, quando convertidos em moeda nacional, se elevaram 93% (banana) e 55% (mamão), nos últimos 10 anos.
Em termos de volume exportado, o pico ocorreu em 2002, no caso da banana, e em 2003, no do mamão. A partir daqueles anos, nota-se um decréscimo nas exportações.
Mercado interno
O consumo doméstico de frutas in natura ainda é baixo, se comparado com outros países. A disponibilidade per capita de frutas no Brasil é estimada em 141 kg/ano, sem considerar as perdas ao longo do canal de comercialização. A disponibilidade interna de banana passou de 32,0kg/hab/ano, em 1999, para 36,2kg/hab/ano, em 2008. No caso do mamão, esses valores foram de 8,2kg/hab/ano para 9,8kg/hab/ano.
Volume e preços no atacado
Entre 1999 e 2009, quando se considera uma cesta de frutas, o volume comercializado na CEAGESP aumentou 36% e os preços médios, 133%. A banana nanica seguiu essa tendência e o mamão papaya teve o dobro de aumento de preço em relação à média das frutas.
Banana nanica
O volume de banana nanica comercializado na CEAGESP aumentou apenas 12% nos últimos 10 anos. O preço médio nominal apresentou um crescimento de 117% para o mesmo período. Observa-se um aumento do volume (7,21%) e dos preços (7,14%) quando se compara os 5 primeiros meses deste ano em relação a 2009.

Mamão papaya
O volume de mamão papaya comercializado na CEAGESP manteve-se, praticamente, estável nos últimos 10 anos. O preço médio nominal apresentou um crescimento de 266% para o mesmo período. Comparando-se os 5 primeiros meses deste ano em relação a 2009, observa-se um decréscimo do volume (-15,02%) e um aumento nos preços (26,03%).

Evolução dos preços: produtor/atacado/varejo/exportação
Banana
Comparando a evolução dos preços nos diversos segmentos da cadeia da banana, verifica-se aumento expressivo dos preços recebidos pelos produtores. Em 10 anos, houve aumento de 234% nos preços pagos aos produtores de banana nanica, enquanto os preços no atacado e no varejo subiram, respectivamente, 117% e 131%. Os preços de exportação apresentaram aumento de 93%.

Mamão papaya
Nos últimos 5 anos, tomando-se como referência o ano de 2004, o preço do mamão papaya valorizou-se mais no segmento atacadista (39%), seguido pelos varejistas (38%) e pelos produtores (23%). Os preços médios de exportação subiram 14% entre 2004 e 2009.

Números do crédito rural para banana e mamão

As aplicações de investimento em banana e mamão cresceram 189% e 518%, respectivamente, nos últimos 10 anos, totalizando, em 2009, R$ 46 milhões.
O crédito de custeio cresceu 542% para banana e 2.114%
em pomares de mamão, o que totalizou R$ 134 milhões,
em 2009.
Linha Especial de Crédito (LEC)
A Linha Especial de Crédito (LEC) é um instrumento de apoio à comercialização similar ao Empréstimo do Governo Federal (EGF). Diversas frutas são contempladas pela LEC. São elas, com seus respectivos preços de referência: abacaxi (R$0,35/kg de fruta), banana (R$0,20/kg), goiaba (R$0,45/kg), manga (R$0,34/kg), mamão (R$0,41/kg), maçã (R$0,60/kg), maracujá (R$1,00/kg) e pêssego (R$0,50/kg). O limite de financiamento é de R$500 mil por produtor rural e de até R$30 milhões para unidades de
beneficiamento e industrialização.
A concessão de crédito ao amparo da LEC a beneficiadores, agroindústrias e cooperativas de produtores rurais que beneficiem ou industrializem o produto ficará condicionada à comprovação da aquisição da matéria-prima diretamente de produtores ou de suas cooperativas por preço não inferior aos valores de referência vigentes na data de contratação do financiamento. O período de contratação dos financiamentos vai de 1º de julho de 2010 a 30 de junho de 2011. Para acessar essa linha de crédito, o interessado deverá procurar o agente financeiro mais próximo que trabalhe com crédito rural.
Os recursos da LEC já foram aplicados para as culturas do abacaxi, goiaba, maçã, maracujá, maçã e pêssego (ver tabela no Anexo: Políticas agrícolas de apoio à fruticultura).
Fonte:IBRAF
Publicado:14/07/2010
