Concentração e época de aplicação de aminoetoxivinilglicine (AVG) na maturação de macieiras 'Fuji Suprema'
A produção brasileira de maçãs baseia-se, principalmente, no cultivo das cultivares ‘Gala’ e ‘Fuji’ e seus clones, que respondem por mais de 90% da produção nacional.
A produção brasileira de maçãs baseia-se, principalmente, no cultivo das cultivares ‘Gala’ e ‘Fuji’ e seus clones, que respondem por mais de 90% da produção nacional. A grande área de exploração destas cultivares nas principais regiões produtoras do Brasil, associado a maturação concentrada de seus clones, determina que parte dos frutos seja colhido em estado avançado de maturação, resultando na redução da qualidade dos frutos quanto a conservação pós-colheita. Segundo Yuan & Carbaugh(2007), quando a colheita de maçãs é realizada antes da adequada maturação pode acarretar conservação deficiente e baixa resistência da polpa dos frutos. A colheita de maçãs deve ser efetuada no período que proporcione maiores condições de serem obtidos frutos com qualidade ao final do armazenamento.
O manejo da maturação dos frutos é de grande importância econômica nas condições brasileiras, podendo ser realizado por meio do uso de estratégias que reduzam a formação do etileno, hormônio vegetal relacionado a maturação dos frutos. Dentre as substâncias que interferem na síntese do etileno insere-se o aminoetoxivinilglicine (AVG). Vários trabalhos têm demonstrado que esta substância apresenta potencial para o controle de maturação e redução da queda de frutos em pré-colheita. O uso de AVG pode melhorar a qualidade dos frutos na frigoconservação pela colheita no ponto adequado. Além disso, o atraso da maturação, proporcionado pela aplicação de AVG, poderá prolongar o período entre a floração e a maturação dos frutos, resultando no aumento da massa média dos frutos, como abordado por Amarante et al. (2002) e Petri et al. (2007).
Comercialmente, o AVG é utilizado para o controle da queda de frutos e retardamento da maturação, sendo aplicado quatro semanas antes do ponto de colheita (Yuan & Carbaugh, 2007). Contudo, os efeitos de AVG no retardamento da maturação e nos índices de firmeza da polpa, cor da película, degradação de amido e acidez dos frutos são variáveis com a cultivar e a concentração de AVG utilizada (Clayton et al. 2000).Por essa razão, torna-se importante a avaliação de diferentes épocas e concentrações de AVG, assim como o parcelamento de aplicações, a fim de aumentar a eficiência deste fitorregulador no controle da maturação e da queda pré-colheita de frutos.
Neste sentido, foram realizados experimentos com macieiras da cultivar Fuji Suprema em pomares comerciais localizados no município de Fraiburgo/SC (Lat. 26º46' S, Long 51º W), durante quatro ciclos agrícolas. Foram estudadas a época de aplicação e a concentração em uma ou em múltiplas aplicações, visando a avaliar o efeito no atraso da maturação dos frutos, queda de frutos antes da colheita, produção de frutos, massa média de frutos, além de parâmetros relacionados a maturação dos frutos (resistência da polpa, conteúdo de sólidos solúveis, acidez titulável, índice de iodo-amido, cor da epiderme dos frutos) e ocorrência de distúrbios nos frutos (incidência de pingo-de-mel, incidência de rachadura peduncular e danos de sol). As épocas de aplicação do AVG avaliadas foram uma, duas, quatro semanas antes do ponto de colheita e no ponto de colheita, em concentrações variando de 60 a 120 g ha-1.
Todos os tratamentos com AVG retardaram a maturação dos frutos. Quando realizada a aplicação de AVG duas e uma semana antes do ponto de colheita, a maior proporção de frutos foi colhida na última data de colheita. O atraso da maturação dos frutos foi acompanhado da manutenção da resistência da polpa e degradação do amido, assim como o aumento da massa média dos frutos em comparação as plantas não tratadas com AVG. A ocorrência dos distúrbios ‘pingo de mel’ e ‘dano de sol’ foi menor em função do uso de AVG.
Os tratamentos com AVG atrasaram o desenvolvimento da coloração vermelha dos frutos na mesma proporção que ocorreu o atraso na maturação dos frutos. A queda de frutos antes do ponto de colheita não foi alterada pela concentração e época de aplicação em uma ou duas vezes. Contudo, todos os tratamentos com AVG apresentaram menor queda de frutos antes da colheita em comparação as plantas que não receberam o tratamento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De maneira geral, o uso de AVG na concentração de 60 g ha-1, aplicado de duas a três semanas antes do ponto de colheita, mostra-se efetivo no manejo da colheita para a cv. Fuji Suprema, permitindo retardar a colheita com manutenção da qualidade dos frutos para armazenagem.
Fonte: Toda Fruta
Publicada: 17/10/2011
