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Controle da podridão-do-colo do maracujazeiro

A produtividade do maracujazeiro pode ser afetada pela ocorrência de doenças, principalmente a Podridão-do-colo, causada pelo fungo Nectria haematococca, o qual mata precocemente as plantas

A produtividade do maracujazeiro pode ser afetada pela ocorrência de doenças, principalmente a Podridão-do-colo, causada pelo fungo Nectria haematococca, o qual mata precocemente as plantas. O patógeno está disperso em todos os Estados brasileiros produtores, sendo responsável por queda da produtividade e constantes migrações da cultura. Os sintomas iniciam-se com o amarelecimento das folhas, seguida de murcha e seca da planta, resultado do apodrecimento do colo.

O controle da doença deve ser preventivo, não havendo até o momento métodos curativos eficientes, após constatada a doença no pomar. Recomenda-se evitar áreas com histórico da doença, evitar o plantio em solos pesados e compactados, utilizar mudas sadias, evitar ferimentos no colo e no sistema radicular das plantas e erradicar as plantas doentes. Estudos recentes avaliaram o comportamento do maracujazeiro amarelo (Passiflora edulis f. flavicarpa) do tipo pé-franco e enxertado em Passifloraceas no controle da Podridão-do-colo em maracujazeiro amarelo ‘Afruvec’ mostrando menores incidências da doença nas plantas enxertadas em P. maliformis, P. suberosa e P. alata. Maiores incidências foram observadas emP. mucronata,P. morifolia e ‘Afruvec’ pé franco

Melhor comportamento para a doença em maracujá doce (P. alata) em relação ao amarelo já havia sido relatada em trabalhos anteriores. Porém, a suscetibilidade de P. alata a nematóides de galhas pode favorecer a infecção pelo patógeno. A doença é conhecida por interagir com a podridão do pé do maracujazeiro, causada por Phytophthora spp., nematóides, e ataque de formigas e cupins. Alguns trabalhos só reproduziram os sintomas da doença quando foram realizados ferimentos no colo ou nas raízes das plantas, sendo o desenvolvimento da podridão sempre maior nas plantas com ferimentos. O uso de porta-enxerto resistente constitui-se, a curto prazo, na melhor forma de convivência com o problema em locais contaminados. Na escolha do porta-enxerto, além da resistência às doenças, deve-se considerar a compatibilidade da enxertia e a produtividade. P.alata é considerado um promissor porta-enxerto em áreas sem a ocorrência de fitonematóides, pois além de ser resistente a Podridão-do-colo, confere à copa maior precocidade e manutenção da qualidade dos frutos.

Experimentos também avaliaram a eficiência de produtos químicose biológicos comerciais, como oxicloreto de cobre, procloraz, tiabendazol, Trichoderma harzianum (Ecotrich® e Itafort®) Trichoderma sp. (Agrotrich® e Tricho Plantio®) em aplicações mensais e quinzenais, não sendo observadas reduções na incidência da Podridão-do-colo do maracujazeiro, em comparação ao tratamento controle (água). A disseminação e o potencial de inóculo do patógeno no solo, e as condições ambientais devem ter sido muito favoráveis ao desenvolvimento da doença, não permitindo uma proteção eficaz da planta com os fungicidas e com os produtos biológicos. O patógeno sobrevive no solo durante anos na forma de estruturas de resistência, podendo ser dispersos por meio de qualquer prática em que haja movimento do solo infestado.

A eficiência dos produtos biológicos pode ser afetada por fatores bióticos locais (organismos vivos) e abióticos (tipo de solo, umidade, pH e temperatura), pois são produtos bem mais sensíveis e específicos quando comparados aos produtos químicos. Contudo, considerando que isolados de Trichoderma com capacidade antagonista geralmente são isolados de solo rizosférico devido à habilidade em habitar esse ambiente, recomenda-se a busca de outros antagonistas na rizosfera de plantas sobreviventes nos pomares com histórico da Podridão-do-colo do maracujazeiro. O sucesso do uso de Trichoderma tem sido documentado para patógenos de solo, como Rhizoctonia solani, Sclerotium rolfsii, Sclerotinia sclerotiorum, Fusarium spp. e Pythium spp, em diversas culturas.

Maiores informações podem ser obtidas no artigo “Avaliação de Passifloraceas, fungicidas e Trichoderma para o manejo da Podridão-do-colo do maracujazeiro, causada por Nectria haematococca” publicado na Revista Brasileira de Fruticultura, v.32, n.3, p.709-717, 2010.

Fonte: TodaFruta
Publicada: 13/12/2010

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