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De Confins para o mundo

Temos condições de pôr a fruta mais fresca no mercado consumidor e a logística de exportação facilita demais o nosso trabalho.

Um carregamento de 13,8 toneladas de manga palmer com destino a Portugal ocupou, na tarde de segunda-feira, boa parte da infraestrutura do terminal de logística do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande Belo Horizonte. A fruta inaugura uma nova fase das exportações dos fruticultores de Jaíba, no Norte de Minas Gerais, que até o mês passado eram obrigados a escoar a produção pelos aeroportos de São Paulo, com gastos pesados de frete rodoviário até os terminais. O embarque direto, iniciado há exatos 15 dias, permite ganhos na operação, além da economia no transporte. O tempo menor de viagem evita danos à qualidade da fruta e os produtores ganham, também, maior poder de competição para alcançar o mercado europeu.

Na rota anterior, a manga saía das lavouras em caminhões fretados pelos produtores, rodando 1.250 quilômetros até o Aerporto de Viracopos, em Campinas, na Região Metropolitana de São Paulo. Com o novo percurso, são 700 quilômetros até Confins e uma economia estimada em 50% do valor das despesas nas rodovias, informa o produtor Randolfo Diniz Rabelo, secretário de Agronegócio do município de Jaíba. Em valores, os fruticultores já calculam economia de pelo menos R$ 3 mil nos embarques semanais. A experiência é considerada vitoriosa e deve ser estendida às exportações de outros produtos, a exemplo da banana e do mamão e de frutas exóticas como o cajá e a atemóia.

“Temos condições de pôr a fruta mais fresca no mercado consumidor e a logística de exportação facilita demais o nosso trabalho”, afirma Diniz. As exportações de manga, iniciadas em 1994 para a Europa, passaram a ser feitas em acordo com a TAP Linhas Aéreas, nos Airbus A330, pelo Aeroporto de Confins. De Portugal, a manga é distribuída para o restante do continente. Segundo o diretor comercial da Infraero, Fernando Nicácio, o terminal é um dos mais promissores para transporte de carga no modelo de aeroporto indústria, desenvolvido pela empresa estatal. De janeiro a abril deste ano, 6,3 mil toneladas de cargas de importação e exportação foram embarcadas, entre elas peças e partes de automóveis, de aeronaves, pedras semipreciosas e eletroeletrônicos.

A viagem reduzida permite que os produtores colham a manga e embalem a fruta no mesmo dia para despachá-la já no dia seguinte de Confins ao destino final. Anteriormente, pelo menos 24 horas eram perdidas no transporte rodoviário, sujeitando a fruta ao balanço no ritmo das estradas esburacadas. Além do Aeroporto de Viracopos, há outras duas opções mais caras, pelo Rio de Janeiro ou Bahia. Segundo Randolfo Diniz, a previsão, conforme negociação com a TAP e a Infraero, é de que até 24 toneladas sejam exportadas por semana a partir de Confins.

A saída logística mais barata anima os produtores do Norte de Minas, de acordo com Dirceu Colares, presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte). De toda a manga produzida em Jaíba, estimada em 3 mil toneladas neste ano, só de 3% a 5% têm o mercado externo como opção de venda. A principal vantagem da exportação está nos preços, cerca de 70% mais altos em comparação aos valores no mercado interno. “O nosso grande problema é a logística. Normalmente, os clientes no exterior querem mais de um tipo de fruta e a exportação direta por Minas abre novas possibilidades”, afirma. São cerca de 3,6 mil produtores no Norte mineiro, dos quais apenas 5% já experimentaram regularmente as vendas no exterior.


Fonte: Portal Uai
Publicada: 30/06/09

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