Empresa teme novos prejuízos
Um exemplo de empresa que ainda amarga perdas provocadas pela enchente de três anos atrás é a Del Monte, responsável pela exportação de 2,5 milhões de caixas de banana anualmente
A construção de obras estruturantes pode ser a única saída para evitar que empresas da região do Vale do Açu sofram com perdas, caso seja confirmada a previsão de um inverno com chuvas acima da média no semiárido potiguar, feita pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). Na região, estão empresas que atuam com fruticultura irrigada e já enfrentaram grandes prejuízos causados por chuvas intensas, devido à cheia na bacia do rio Piranhas-Açu.
Em recente entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o meteorologista Gilmar Bristot afirmou que os dados disponíveis para a Emparn indicam haver grandes possibilidades de enchentes e rápida “sangria” dos reservatórios durante o inverno deste ano, a exemplo do que ocorreu em 2008 e 2009.
Um exemplo de empresa que ainda amarga perdas provocadas pela enchente de três anos atrás é a Del Monte, responsável pela exportação de 2,5 milhões de caixas de banana anualmente, e que atua no Vale do Açu desde 1998. Em 2008, a empresa diminuiu sua produção em 50% no Rio Grande do Norte, passando de pouco mais de 2 mil hectares plantados na região para mil hectares, para evitar mais perdas.
Desde então, a Del Monte optou por não voltar a plantar ou construir nas áreas que foram mais alagadas, como forma de precaução. “Naquele ano, o nosso prejuízo foi superior a US$ 10 mil (aproximadamente R$ 17 milhões, na cotação atual), em estrutura e frutas. Ainda não revertermos essas perdas, já que a produção diminuiu bastante e continuamos a ter um custo alto”, ressalta o gerente Jurídico e de Relações Institucionais da empresa Del Monte, Newton Assunção.
Para Assunção, a solução definitiva para conter as enchentes do Vale do Açu seria a construção da barragem de Oiticica, no município de Jucurutu, localizado no Seridó. A edificação é importante para barrar o volume de água que flui a partir da Paraíba, onde nasce o rio Piranhas-Açu, e vai até a barragem Armando Ribeiro Gonçalves, já na região do Seridó. “Sem a construção dessa barragem, nenhuma medida será totalmente eficaz”, avalia.
Em relação à forte possibilidade de novas enchentes atingirem a região ao longo deste ano, o gerente Jurídico da Del Monte afirma não ter como prever eventuais prejuízos. Além disso, ele diz torcer para que não haja mais enchente e para que o Governo do Estado consiga construir a barragem. “Assim, as empresas poderão realizar novos investimentos nos anos seguintes e a própria população não passará novamente pelos transtornos vividos em períodos de muita chuva”, considera Assunção.
Por ano, a Del Monte exporta mais de 2,5 milhões de caixas de banana, cada uma com dezoito quilos, que vão para países da Europa. Além do cultivo de frutas no Brasil, a empresa produz em países da América Central, África e nas Filipinas.
Barragem
O subcoordenador de obras da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Otacílio Freitas, afirma que foram realizados os processos de licitação e contratação, para a construção da barragem de Oiticica. Entretanto, com a mudança de gestão no Governo do Estado, a secretaria paralisou o processo, enquanto promove uma revisão dos contratos.
De acordo com a Semarh, será necessário investir R$ 240 milhões na execução do projeto, que faz parte das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas não foi informada uma data provável para o início efetivo das obras.
memória
De acordo com informações da Defesa Civil do Estado divulgadas na época, no ano de 2008, quase 153 mil pessoas foram afetadas pelo inverno rigoroso, em 48 municípios do Rio Grande do Norte, sendo que 3.023 foram desabrigadas porque tiveram suas casas danificadas ou destruídas. Outras 9.651 pessoas foram desalojadas ou deslocadas de suas casas, enquanto as águas não baixavam de volume.
Em 31 de julho daquele ano, a Defesa Civil apontava que o prejuízo material chegava a R$ 75 milhões, mas o Ministério da Integração Nacional disponibilizou apenas R$ 30 milhões aos municípios afetados, por meio do governo estadual.
O município que necessitava da maior demanda de recursos era Upanema, cerca de R$ 8 milhões, cuja maior parte - R$ 7,14 milhões – seria destinada exclusivamente para a restauração de 133 km de estradas vicinais, estadual ou federal, porque lá só houve a danificação de quatro casas e dois prédios públicos.
Fonte: Tribuna do Norte
Publicada: 24/01/2011
