Entrevista com a ABANORTE
A Abanorte completou 17 anos de atuação e foi criada pela necessidade dos produtores trocarem experiências e absorverem novas tecnologias.
O TodaFruta tem o prazer de realizar esta importante entrevista com a ABANORTE, congregando 16 associações, cooperativas, sindicatos e empresas ligadas ao agronegócio da fruticultura, com cerca de 3.500 produtores rurais, tem buscado consolidar ações que objetivem a sustentabilidade da fruticultura, que tem prestado a fruticultura brasileira uma notável contribuição.
TODAFRUTA: Comente a respeito do nascimento da ABANORTE, quais fatores que motivaram a sua criação?
ABANORTE: A Abanorte completou 17 anos de atuação e foi criada pela necessidade dos produtores trocarem experiências e absorverem novas tecnologias. A primeira dificuldade encontrada foi a falta de tecnologia gerada no semi-árido mineiro para a bananicultura. Hoje a ABANORTE, se tornou associação dos fruticultores do Norte de Minas, cujo território de ação é a bacia do sub-médio do Rio São Francisco (de Pirapora até divisa de Minas com Bahia). A necessidade de produzir de forma sustentável faz com nos aproximemos cada vez mais da pesquisa para assim oferecer produtos para o consumidor moderno, um produto ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável.
TODAFRUTA: No site da ABANORTE consta uma biblioteca virtual, como é a utilização destes recursos por parte dos internautas?
ABANORTE: Uma das ferramentas utilizadas pela entidade para manter seus associados e demais interessados atualizados é o portal da Abanorte, que é atualizado diariamente com as principais notícias da fruticultura. Buscando suprir a demanda por informações confiáveis sobre o setor, as entidades,órgão de fomento, estudantes e profissionais ligados à cadeia produtiva da fruticultura, podem acessar ilimitadamente o conteúdo disponibilizado em nossa biblioteca virtual.
TODAFRUTA: Quais são as principais frutiferas plantadas pelos 3.500 produtores, e o destino das respectivas produções?
ABANORTE: A banana prata, seguida pela manga, limão tahiti e mamão, destacam-se como as principais dentre as 40 espécies de fruteiras cultivadas na região. Frutas como as anonáceas (pinha e atemóia), cajá, caju, citrus, goiaba, maracujá, romã, umbu e uva, também são destaque na fruticultura local. Acreditamos também no desenvolvimento das frutas nativas. São mais de 20.000 hectares, dedicados à fruticultura, gerando 60.000 indiretos, envolvendo 40 municípios, com produção de 400 mil toneladas de frutas anuais gerando uma receita de 300 milhões.
TODAFRUTA: Poderemos definir o produtor ideal, ‘aquele que utilize todas as informações técnicas existentes, comercialize a produção, e procure agregar valor ao produto’, o que se deprende que ao iniciar um projeto deva existir um projeto a ser obedecido por cada produtor. Como a ABANORTE atua no processo?
ABANORTE: A ABANORTE procura sempre atualizar os seus associados nas mais modernas técnicas de gestão, seja nos temas técnicos como também nos de mercado e estratégicos. Isso se faz através de treinamentos específicos e participação em seminários e congressos. Estimulamos também as ações empreendedoras na agroindústria visando agregar valor aos produtos.
TODAFRUTA: A bananicultura brasileira acusou a recente entrada da SIGATOKA NEGRA, como está sua ocorrência entre os produtores da ABANORTE?
ABANORTE: Felizmente as condições climáticas do Norte de Minas são adversas ao desenvolvimento dessa doença, pelo menos até o momento com as raças existentes, e nossa região é classificada como livre de Sigatoka Negra pelos órgãos fiscalizadores da sanidade vegetal.
TODAFRUTA: Visitamos lavouras de banana em Santa Catarina, onde precensiamos um eficiente sistema de alerta , para orientar os produtores no momento adequado de pulverizarem contra Sigatoka. A ABANORTE tem alguma coisa neste sentido?
ABANORTE: Mantemos uma vigilância constante com os nossos agrônomos da assistência técnica, em parceria com os técnicos do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária), contudo, como a doença não está presente em nossa região, não desenvolvemos nenhum sistema de alerta especial.
TODAFRUTA: Desde a criação da ABANORTE, quais as evoluções verificadas na bananicultura mineira?
ABANORTE: A tecnologia de produção melhorou muito, principalmente na área de nutrição vegetal, controle integrado de pragas e doenças e controles pós-colheita, mas o grande desafio é transformar toda a competência dos produtores nessa tecnologia também para a área de gestão, de forma que sejam ótimos produtores de frutas mas também ótimos homens de negócio.
TODAFRUTA: Para exportação, vários paises estão exigindo um selo de qualidade, qual a posição da ABANORTE sobre o assunto?
ABANORTE: A competitividade no mercado internacional passa obrigatoriamente pela certificação e rastreabilidade, além de uma qualidade de fruta inquestionável. Temos que atender totalmente essas expectativas dos clientes internacionais ou estaremos no mercado marginal. Incentivamos todas as iniciativas para a certificação pois acreditamos que com ela, vamos melhorar a gestão de propriedade como um todo e os resultados serão melhores inclusive para o mercado interno.
TODAFRUTA: Como a ABANORTE, vê o crescimento da fruticultura mineira?
ABANORTE: Temos, sem dúvida alguma, o maior potencial para crescimento de novas áreas de plantio pois o Projeto Jaíba, maior projeto de irrigação da América Latina, está ainda em desenvolvimento e com milhares de hectares a serem explorados. A maioria das espécies de frutas tropicais e até algumas de clima temperado tem excelente adaptação no Norte de Minas e, assim, o cenário é de muito otimismo para o crescimento e sustentabilidade da atividade.
TODAFRUTA: A comercialização pode ser classificada como sério problema, onde muitas vezes o pequeno produtor faz a venda na porteira da fazenda. Como se dá a atuação da ABANORTE no processo de comercialização?
ABANORTE: Esse desafio da comercialização de frutas é mundial e acreditamos que o melhor caminho para organização do setor produtivo é o cooperativismo/associativismo. Através dessas ferramentas poderemos melhorar nosso poder de negociação e buscar uma comercialização justa para nossos produtos.
TODAFRUTA: Qual a opinião da ABANORTE, sobre pontos a serem desenvolvidos, para proporcionar um maior crescimento da fruticultura brasileira?
ABANORTE: A melhor alternativa para aumentar o consumo de frutas no mercado interno e externo é produzir um produto de alta qualidade e sabor diferenciado. Uma vez produzida, essa fruta precisa ser adequadamente manuseada pela rede varejista para a manutenção desses atributos de forma que os clientes fiquem encantados com a aparência e sabor desse saudável alimento. Produto superior, boa rastreabilidade, organização da comercialização (cooperativismo/associativismo), bom marketing, é sucesso garantido e justa distribuição de renda na cadeia produtiva. Temos um alimento saudável, politicamente correto do ponto de vista de nutrição e ambiental, gerador de emprego, bom para a agricultura familiar e empresarial, enfim, basta organizar o setor e os vários elos da cadeia e tudo vai dar certo.
TODAFRUTA: Quais os pontos que gostaria de enfatizar?
ABANORTE: As associações de produtores, compradores, varejistas, certificadoras, fornecedores de insumos, entre outras, tem que trabalhar em sintonia e com o espírito de negociação do ganha-ganha para garantir o crescimento setorial no curto, médio e longo prazos.
Data Edição: 06/07/10
Fonte: TodaFruta
Publicada: 06/07/2010
