Essa uva é doce!
Em plena colheita da safra de verão, viticultores de Marialva trabalham para colher frutas de qualidade visando bons preços e novos mercados consumidores
Debaixo das videiras do município de Marialva - Noroeste do Paraná - produtores de uva de mesa trabalham para conseguir qualidade e bons preços para a colheita da safra de verão, já iniciada e que se extende até janeiro de 2011 A cidade, que há alguns anos atrás tinha a má fama de comercializar uvas azedas, agora ganha destaque pela produção de uvas doces e de excelência, graças a ações públicas e de empresas privadas que envolvem toda a cadeia de produção e comercialização da fruta O volume produzido no município corresponde a 50% da safra estadual.
Segundo dados da Secretaria da Agricultura, Meio Ambiente e Turismo de Marialva, a expectativa é colher por volta de 22 mil toneladas de uva de mesa nesta safra, atingindo um faturamento de R$ 35 milhões Dos 32 mil habitantes do município, seis mil estão envolvidos com a atividade, sendo um pouco mais de mil produtores trabalhando numa área de 1,5 mil hectares "O rendimento da uva na cidade foi de R$ 100 milhões anuais nas últimas safras, exatamente o mesmo valor do rendimento de todas as outras culturas do município, sendo que só de soja, são 23 mil hectares Esta produção vem se mantendo nos últimos anos", calcula Valdinei Cazelato, secretário de agricultura do município.
Se a produtividade se mantém ao longo dos anos, a qualidade cresce e atinge novos mercados consumidores Em 2005, a Portaria 1 027 foi decretada e, a conhecida Lei da Uva Verde, passou a exigir que a produção tivesse um padrão mínimo de qualidade, o que envolve pelo menos 13 graus brix, que é o teor de doçura medido nas frutas "Se ela está abaixo dos 13 graus, é considerada imprópria para consumo e então, descartada Temos duas pessoas envolvidas com a fiscalização, o que tem dado bons resultados", salienta Cazelato.
A justificativa para a colheita da uva antes da hora exata era a de aproveitar os melhores preços de mercado, que geralmente atingem o pico no início da safra Os produtores acabavam aceitando a oferta de intermediários, com o temor de perder os melhores preços Entretanto, a fruta chegava ao consumidor final com qualidade inferior, que acabava deixando de consumir as uvas da região.
“O produtor está mais consciente Se ele vende a uva fora da época e dos padrões exigidos, o produto fica encalhado nos estabelecimentos Agora, com essa uva de qualidade, a expectativa é boa para o final do ano”, explica Ailton Rojas Poppi, técnico agrícola da Emater de Marialva .
Rojas comenta ainda que algumas cidades da região entram em contato com a Emater para saber como funciona a Lei da Uva Verde, como aconteceu em Uraí. "Elas querem seguir o mesmo exemplo, por isso nos visitam e telefonam Não dá para negar que de cinco anos para cá a qualidade das uvas de mesa melhorou substancialmente".
Em relação aos preços de mercado para este final de ano, os produtores estão na expectativa de elevação de pelo menos 40% Na última semana as diversas variedades como a Itália, Rubi, Benitaka estavam sendo comercializadas a R$ 1,80/kg e o ideal seria que atingisse a R$ 2,50/kg Antonio Perez é diretor secretário da Cooperativa Agroindustrial dos Viticultores (Coavit), que possui 34 cooperados, e produtor de uvas na região. Ele planta a fruta numa área de quatro hectares e sua expectativa de colheita é de 45 toneladas "Se o preço ficar entre R$ 2 e R$ 2,50 será uma remuneração boa para o produtor. Chegou a atingir a R$ 4, mas acho difícil retornar a esse patamar. Nossa esperança é que os preços voltem a subir nestas festas de final de ano", complementa Perez.
Fonte: Folha de Londrina
Data Edição: 06/12/2010
