Limão mineiro cai no gosto de árabes com vendas de 226% em Dubai
As exportações mineiras do fruto somaram US$ 698,3 mil, avanço de 226% frente à cifra apurada em 2009, ou seja, mais de três vezes.
Nem minério de ferro nem aço. As frutas produzidas no Norte de Minas é que surpreenderam no balanço do comércio do estado com o exterior no ano passado, ao desembarcar pela primeira vez no mundo árabe. O limão Tahiti, colhido nas lavouras que já abastecem o mercado europeu, chegou a Dubai em 2010 e tem boas chances de ganhar novas fatias em mercados menos ocidentalizados da região. As exportações mineiras do fruto somaram US$ 698,3 mil, avanço de 226% frente à cifra apurada em 2009, ou seja, mais de três vezes. Em outra iniciativa inédita, os produtores do Norte do estado começam este mês a fazer vendas diretas de limão, sem a intermediação das tradings de São Paulo, organizando toda a operação de embarque da mercadoria, do campo ao distribuidor.
Vedete mais recente das exportações de Minas , a manga Palmer teve franca expansão em 2010, apurando receita de US$ 2,4 milhões na Europa, valor 74,3% maior na comparação com 2009. Para a fruta despachada do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Grande BH, o desafio de conquistar novos clientes estrangeiros é também grande e não depende só dos agricultores, já que requer uma infraestrutura de acondicionamento e refrigeração capaz de conservá-la em rotas mais distantes.
A convicção dos produtores envolvidos na fase crescente das exportações é de transformar este ano no momento de trabalhar os negócios nos Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia. “O Norte de Minas será um grande exportador de frutas”, afirma Elias Teixeira Pires, produtor rural e consultor em agricultura irrigada. Ele aposta no aumento da área plantada de limão Tahiti dos cerca de 3 mil hectares atuais para 7 mil ha em seis anos, diante das perspectivas de consumo da fruta no mercado internacional.
Levantamento feito pela Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte) indica a exportação de 8,150 mil toneladas de limão no ano passado, um total de 360 conteineres, volume 44,8% superior ao de 2009. São cerca de 200 produtores que só começaram a trabalhar intensamente as exportações nos últimos dois anos. Ainda sob sigilo, as empresas de produtores que vão inaugurar o sistema de venda direta na região preparam o embarque para a Inglaterra dentro de no máximo 20 dias. Com a exportação direta, a expectativa é de aumento entre 15% e 20% da receita líquida obtida.
O limão sai das áreas produtoras de Jaíba, Janaúba e outros municípios do Norte de Minas em conteineres refrigerados, por rodovia, até o litoral de Salvador e de lá segue em navio, chegando ao destino final 30 a 40 dias depois de colhido. Jorge de Souza, diretor da Abanorte, diz que boa parte dos produtores está se preparando para exportar sem a intermediação das tradings. “Não temos dúvida de que vamos ganhar mais mercado no exterior. A maior dificuldade está na combinação entre o câmbio desfavorável (o dólar baixo frente ao real) e a infraestrutura logística deficiente do país”, afirma.
Lideradas pela manga e o limão, as vendas externas das frutas de Minas faturaram US$ 5,19 milhões em 2010, tendo Portugal, Holanda, Estados Unidos, Espanha e Alemanha, nesta ordem, como principais destinos. Neste ano, o mundo árabe, que conhecia até então o minério de ferro e o aço de Minas, com foco nos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Egito, tem prioridade no trabalho de abertura de mercados desenvolvido pela Central Exporta Minas junto aos produtores. “A região é prioridade em função do seu consumo crescente e da capacidade da produção do Jaíba de ocupar espaço na entressafra dos fornecedores habituais do mundo árabe, que são a Índia e o México”, afirma o diretor do órgão vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Jorge Duarte de Oliveira.
Perecíveis em Confins
O governo de Minas Gerais e entidades do setor privado negociam com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) a instalação de um centro de perecíveis no Aeroporto de Confins, considerado essencial para estimular a exportação de frutas e outros alimentos produzidos no estado. A planta básica das instalações já foi desenhada e as negociações estão inseridas no projeto de construção do terminal 2 de passageiros. Os aeroportos de Campinas, Fortaleza e Petrolina já dispõem da infraestrutura de câmaras frias e túneis de resfriamento.
Fonte: Jornal Estado de Minas
Publicada em: 27/01/2011
