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Minas amplia exportação de manga

O próximo passo será vender para os portugueses outras frutas como maracujá, mamão e atemoia, com valor agregado maior, capaz de compensar os custos da exportação aérea.

No rastro dos voos da TAP para Portugal, os produtores de manga do Norte de Minas estão embarcando frutas, que são comercializadas na região de Lisboa, através do Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As exportações começaram há dez semanas, depois que os produtores descobriram que, no meio das bagagens dos passageiros, havia espaço disponível e economicamente viável para as mangas. Desde então, já foram exportadas, por Confins, 400 toneladas da fruta e tudo indica que não vai parar – serão 800 toneladas até o final do ano, segundo revelou ontem o presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), Dirceu Colares, durante palestra na Secretaria de Estado da Agricultura, onde promoveu uma degustação de frutas durante café da manhã.
O próximo passo será vender para os portugueses outras frutas como maracujá, mamão e atemoia, com valor agregado maior, capaz de compensar os custos da exportação aérea. A pressa de ir de avião tem uma explicação. Dirceu Colares afirma que quanto mais madura a fruta estiver, mais saborosa será, “como no pomar da vovó, onde a gente pega a manga no pé”. Quanto mais verde a manga for colhida, menor será o seu sabor.
De Confins, também partem voos para os Estados Unidos, mas neste mercado o problema é outro: as barreiras fitossanitárias, que impedem a exportação. Quando o Aeroporto Internacional Tancredo Neves tiver voos regulares para outros destinos, com certeza também lá estarão as frutas norte-mineiras. Os compradores existem e querem as frutas. Faltam os voos regulares.
Outra novidade é a exportação de banana para a Inglaterra através do Aeroporto de Cumbica, em São Paulo. A empresa Mark & Spencer corta as frutas, faz uma bela salada, que é enviada pronta para o consumo, do jeito que os ingleses gostam. Eles descobriram que a banana tipo Prata, produzida no Norte de Minas, é a única que não escurece na salada de frutas. Depois de sair de Cumbica, a banana Prata norte-mineira tem validade de três dias para o consumo, sem escurecer.
O Norte de Minas exporta ainda, desde 2007, banana orgânica, tipo Nanica, para Alemanha e Holanda, mas através de navios, pelo porto de Salvador. Atualmente, são dois containers por semana. Já a banana Prata-anã é vendida mais no mercado interno, em especial para Rio de Janeiro (41,27%), Minas (32,16%) e São Paulo (21,25%). A fruta chega ainda a quase todos os demais estados brasileiros, mas enfrenta outro obstáculo: as estradas, muitas delas de terra. Se fossem asfaltados os 170 quilômetros que ligam Januária a Chapada Gaúcha, os produtores economizariam 450 quilômetros da Jaíba até Brasília, um mercado ávido por frutas frescas e, como lembrou Dirceu Colares, mais saborosas.
A aprovação da banana Prata norte-mineira, segundo Colares, tem um selo de qualidade: o das donas de casa. Foram elas que descobriram que a banana Prata, que aos poucos vem ganhando o mercado da banana Caturra, demora mais a amadurecer depois que fica amarela, ou seja, tem mais tempo de prateleira. Além disso, tem digestão mais fácil que a Caturra, menores teores de sódio e praticamente nenhum resíduo de agrotóxico, conforme atestado fitossanitário do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
“É uma banana ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável”, afirma Dirceu Colares, ao lembrar que, por quase não chover, o Norte de Minas tem umidade baixa e alta insolação, o que ajuda na produção de frutas em geral, através das modernas técnicas da irrigação, pelas quais o produtor tem maior controle e, em conseqüência, usa pouco agrotóxico.
Também por navio, o Norte de Minas exporta ainda o limão Tahiti, a terceira fruta mais produzida na região (1.350 hectares) depois da banana (12.600 hectares) e da manga (2.500 hectares). Em média, um contêiner deixa o porto de Salvador todo dia. O limão e a banana não são viáveis economicamente para serem exportados de avião.

 

Fonte: Adriano Souto - Editor-adjunto Jornal Hoje em Dia

Publicada em: 20/08/2009

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