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Novas técnicas melhoram qualidade da fruta no Norte de MG

O principal ganho é a redução do uso de agrotóxicos, nos possibilitando ser a região onde se produz a banana com o menor nível de agrotóxicos do planeta. Isso com uma gestão moderna de olho nas exigências do consumidor atual.

Dirceu Colares, presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte), em Janaúba, fala das mudanças no cultivo da fruta na região.
Disse que os ganhos com a nova forma de produção incluem a redução dos agrotóxicos na cultura, "a menor do Planeta",e um produto de melhor qualidade na mesa do consumidor.
Esse sistema, explica Colares, garante melhores frutos mediante o uso de tecnologias não-agressivas ao meio ambiente, o que reflete em produtos mais saudáveis e com menores riscos para a saúde do consumidor.
Do lado do produtor, aumentam os ganhos e o produto ganha sempre mais destaque no mercado com garantia para manutenção e aprimoramento de sua atividade.
Isso tem funcionado tão bem que hoje são 1.543 hectares plantados dentro dessa nova metodologia, com perspectivas de ampliação da área cultivada.
Acrescente-se a introdução de novas cultivares resistentes a doenças, desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Das pragas Colares só teme o Mal-do-Panamá, que tem preferência especial pela banana prata anã, especialidade da região.
Os 60 caminhões que saem diariamente do Norte de Minas carregados de banana ainda passam longe dos portos para exportação.
O produto é consumido mesmo é no mercado interno, notadamente em São Paulo e Rio de Janeiro, com destaque para a Prata Anã e a Cavendish.
A timidez nas exportações se justifica pela distância entre o centro produtor e os portos brasileiros, todos na faixa dos mil quilômetros de distância.
Para um produto perecível como a banana isso se torna inviável. Mesmo assim ainda se exporta esporadicamente para a Inglaterra, de acordo com a Abanorte.

Fala Dirceu Colares
P - Em 2003, o senhor apontava a falta de gestão do produtor - da administração interna da propriedade à adoção de novas tecnologias disponíveis - como um grande problema para o setor. O que mudou nesses últimos cinco anos?
R - A introdução da produção integrada de frutas é a grande novidade na região, pois proporciona ao produtor oferecer uma fruta de acordo com a exigência do consumidor. Com relação à gestão, esta deve ser constantemente melhorada, pois o nível dos trabalhadores na fruticultura também necessita de treinamentos.

P - De um modo geral, e especificamente para a banana, como o senhor analisa a situação da fruticultura no Norte de Minas hoje?
R - A fruticultura iniciou-se há 20 anos no Norte de Minas. Após várias crises houve uma seleção dos produtores que utilizam de média a alta tecnologia na produção. Estamos implantando a produção integrada e contamos com 1.543 hectares neste sistema de produção em fase de implantação.

P - Por tudo que o senhor falou até agora, parece que o sistema de produção integrada de banana no norte de Minas é a menina dos olhos da Abanorte. Quais os ganhos obtidos desde sua adoção no início de 2004?
R – O principal ganho é a redução do uso de agrotóxicos, nos possibilitando ser a região onde se produz a banana com o menor nível de agrotóxicos do planeta. Isso com uma gestão moderna de olho nas exigências do consumidor atual.

P - Recentemente o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) anunciou o fim da sigatoka negra em Minas. Até onde isso corresponde aos fatos e qual a situação de outras pragas nos bananais mineiros na órbita da Abanorte, como a sigatoka amarela e o Mal-do-Panamá? Quais áreas são mais vulneráveis a esses ataques?
R - A informação que temos é que a sigatoka negra no Norte de Minas realmente não voltou a ser detectada. De três em três meses é feita vistoria pelo Ministério da Agricultura em fazendas escolhidas ao acaso. E nunca mais foi detectado o fungo da sigatoka negra.
A sigatoka amarela está controlada pelo monitoramento semanal da evolução do fungo. Atualmente usam-se de três a cinco pulverizações por ano dependendo do índice pluviométrico.
O Mal-do-Panamá é que é o grande problema, pois a banana plantada na região, a variedade prata-anã, é muito susceptível a esta doença. Já existem várias experiências para o convívio com a praga em nível de propriedade.
Algumas por iniciativa dos produtores e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), com resultados bastante animadores.
Também temos a preocupação com novos materiais genéticos desenvolvidos pela Embrapa Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas, BA). As regiões mais chuvosas como o sul de Minas, são mais vulneráveis a esses tipos de doenças.

P – Então, como combatê-las com eficiência?
R - A exigência básica é a utilização de caixas plásticas higienizadas, ou caixas de madeira novas. Agora, isso resulta em maior custo na comercialização, em virtude de outras regiões ainda comercializarem o produto em caixas de madeira usadas.

P - O senhor poderia destacar quais as principais cultivares resistentes a essas doenças e que foram introduzidas na bananicultura mineira?
R - Tropical, Caipira, Galil 18 e FHIA 18.

P - Nas contas do Instituto Brasileiro de Fruticultura (Ibraf), Minas aparece em sétimo lugar no ranking de exportadores de banana no País, atrás de Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Ceará, São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia. O estado já esteve melhor nesse setor ou a situação tende a perdurar?
R - O mercado externo é sempre estudado como uma opção, mas somos limitados pela nossa posição geográfica.
Nós produtores estamos a 1mil km da grande São Paulo, à mesma distância do Rio de Janeiro, a 500 km da grande BH, 700 km de Brasília e 900 km Vitória. Sendo assim, nosso foco acaba sendo o mercado interno.
Também temos dificuldade na exportação da banana prata anã, por ser uma variedade desconhecida no mercado internacional.

P - Para quais países o norte de Minas exporta banana, afinal?
R - As exportações são esporádicas para a Inglaterra.

P - Como é feita a comercialização da safra e que variedades são negociadas?
R - Existem cooperativas e empresas particulares que vendem diretamente às grandes redes brasileiras de supermercados. Também comercializam para as Ceasas do Brasil.
Em média saem 60 caminhões de banana das variedades Prata anã e a Cavendish do Norte de Minas para todas às capitais do país. Também, em menor escala, a banana da terra e maçã. Mas os grandes consumidores são mesmo o Rio de Janeiro e São Paulo.

P - O consumidor brasileiro tende a criar certos mitos que acabam se incorporando ao seu cotidiano como verdades absolutas. Por exemplo, é voz corrente que a banana que consumimos no Brasil é de pior qualidade do que a vendida lá fora. É verdade ou é mito?
R - A banana vendida lá apenas apresenta a casca mais bonita, mas tem menos sabor. A grande vantagem para o consumidor brasileiro é ter uma banana de melhor sabor e frescor, pois nossa fruta, da colheita ao consumo, leva em média cinco dias, contra 30 dias das bananas vendidas no exterior.

P - O senhor consegue entender a extensão do termo "a preço de banana" como sendo próprio de negócios de qualidade inferior?
R - Se diz isso por ser um produto acessível às classes mais baixas. Mas o certo é que, ao se comer uma banana, fruta rica em potássio, está se consumindo saúde e bem estar com excelente relação custo benefício.

 

Publicada em: 09/04/08

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