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O cultivo de abacaxi nas condições subtropicais do Paraná

Em 2005 o Paraná apresentou uma área plantada de 275 ha no qual se produziram 5.827 mil frutos, ocupando a posição de principal produtor de abacaxi na região Sul (IBGE 2005).

No Paraná a fruticultura é desenvolvida em todas as regiões do Estado e, em função de sua localização em área de transição climática várias espécies de frutíferas são cultivadas, desde temperadas a tropicais, como é o caso do abacaxi. A participação da fruticultura frente ao conjunto da produção agropecuária paranaense ainda é pequena, com 2,3% da renda bruta gerada no campo na safra 2004/2005. Apesar dessa modesta participação, o cultivo de frutas tem se consolidado como uma boa alternativa, principalmente para os pequenos produtores paranaenses, contribuindo para o aumento de renda e geração de empregos no meio rural, onde 86% das propriedades são menores que 50 ha, das quais 90% são consideradas familiares (Andretta, 2007).

A produção nacional de abacaxi é liderada pelo estado da Paraíba (325.612 mil frutos), seguido do Pará (268.124) e de Minas Gerais (222.951). Em 2005 o Paraná apresentou uma área plantada de 275 ha no qual se produziram 5.827 mil frutos, ocupando a posição de principal produtor de abacaxi na região Sul (IBGE 2005).

Trabalhos desenvolvidos pelo IAPAR ao longo das décadas de 1980 e 1990 mostraram que esta fruteira se adapta bem ao clima subtropical das regiões mais quentes do Paraná, onde pode ser cultivada com baixo risco de perdas por geadas (Figura 1), possibilitando plantios comerciais com boa produtividade e bom retorno econômico.

Atualmente, o abacaxi é cultivado em 83 municípios paranaenses, oito dos quais são responsáveis por 70,7% da produção estadual de frutos e por 54,9% da área colhida no estado, no ano de 2006 (Quadro 1). Atualmente, os municípios de Santa Mônica e Santa Isabel do Ivaí, na região noroeste do Paraná, constituem o principal pólo de produção de abacaxi do Estado, com mais de 3 milhões de plantas cultivadas (Figura 2 e 3).

A cultivar Smooth Cayenne ou Havaí predomina nas regiões produtoras do Paraná e tem se mostrada mais adaptada às condições de clima subtropical do estado, embora também haja pequena participação da cultivar Pérola na produção estadual de abacaxi. No Paraná, para a cultivar Havaí, em condições de sequeiro, tem sido comum o rendimento de 40 a 50 ton./ha para uma população de até 33 mil plantas úteis/ha e peso médio de 1,5 a 2 kg enquanto que, para a cultivar Pérola, o rendimento é menor, com peso médio do fruto em torno de 1,2 kg.

As mudas são alvo de rigorosa seleção na sua origem, pois são veículos de transmissão de pragas e doenças importantes, como a cochonilha e fusariose, que podem trazer sérios prejuízos econômicos. Dentro do complexo de pragas e doenças que ataca a cultura do abacaxi no Paraná destacam-se também a broca-do-fruto (Strymon megarus) (ex. Thecla basalides) e os nematóides (Pratilenchus brachyurus e Meloydogine spp.).

O sistema de plantio mais utilizado é em fileiras duplas. O abacaxi pode ser plantado o ano todo, mas no Paraná é mais indicada a época entre o final do inverno até o final do verão, onde as temperaturas são mais elevadas e as chuvas mais freqüentes, proporcionando ciclos mais curtos.

O clima é o principal fator que determina o desenvolvimento, a produção e o ciclo do abacaxizeiro cultivado em sequeiro, com grande influência da temperatura e disponibilidade hídrica. O desenvolvimento das raízes depende muito das características físicas e químicas do solo, uma vez que a planta tem um sistema radicular muito superficial e frágil. Nas regiões aptas ao cultivo no Paraná o ciclo do abacaxi tem apresentado uma duração média de 18 meses variando de 14 a 24 meses, dependendo também do tamanho, tipo da muda e da época de plantio.

Nas condições subtropicais do Paraná, os dias curtos e principalmente quedas acentuadas na temperatura, que ocorrem no outono e inverno são os fatores naturais indutores do florescimento do abacaxi, determinando a ocorrência da safra com concentração em janeiro. A prática da indução floral visa antecipar, ampliar e, principalmente, homogeneizar a época de florescimento e colheita. No Paraná, o produto mais utilizado na indução artificial é o etefom (Ehtrel) associado à uréia.

O ponto de colheita deve ser estabelecido em função do mercado (uso e distância). O abacaxi é um fruto não-climatérico, ou seja, não amadurece após a colheita, prestando-se ao consumo fresco ou industrializado. São necessários períodos mais quentes ao final da maturação para garantir frutos mais doces e menos ácidos, motivo pelo qual, no Paraná, frutos de bom sabor são colhidos apenas na primavera/verão. Suas características de sabor e aroma, com um bom equilíbrio entre acidez e açúcar, tornam o abacaxi muito apreciado no mercado nacional e em muitos países importadores. De alto valor dietético, a polpa do abacaxi é energética e contém boas quantidades das vitaminas, A, B1 e C.

A produção estadual ainda é pequena para atender mesmo a demanda interna, fazendo com que o Paraná continue importando de outras regiões produtoras aproximadamente 95% dos frutos que consome (CEASA, 2006). O potencial da abacaxicultura vai além de abastecer o mercado interno. A produção paranaense tem atendido, por sua proximidade, mercados do sul do Brasil, assim como do Mercosul (Argentina), onde as condições climáticas são mais limitantes para o cultivo desta fruteira. Contudo, a conquista de mercados e a permanência nos mesmos têm exigido que a cultura seja conduzida dentro de padrões tecnológicos que permitam ao mesmo tempo o aumento de produtividade, redução de custos e um produto final de qualidade.

LITERATURA CONSULTADA

Abacaxi: tecnologia de produção e comercialização. Informe Agropecuário, v.19, n.195, 1998. 88p.

ANDRETTA, G.C. Valor Bruto da Produção Agropecuária Paranaense em 2005. Curitiba: SEAB/DERAL, 2007, 86p.

CARVALHO, S.L.C.; AULER, P.A.M. Abacaxi: cultivo nas condições subtropicais do Paraná . IAPAR, 2005 (Folder Técnico).

MANICA, I. Abacaxi:do plantio ao mercado. Porto Alegre: Cinco continentes, 2000, 122p.

Sites pesquisados:
http://www.portal.sebrae.com.br/setor/fruticultura/o-setor/frutas/abacaxi
http://www.apps-fao.org
http://www.sidra.ibge.gov.br
http://www.forbusiness.com.br
http://www.ceasa.pr.gov.br/arquivos/file/graf_prod_2006.pdf
http://www.seab.pr.gov.br

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Trabalho enviado ao TodaFruta em 26/10/07

1 - Eng. Agrônoma, DSc. Pesquisadora do Instituto Agronômico do Paraná –IAPAR. Rua Paulo Antônio da Costa, Caixa Postal 564, 87701-970, Paranavaí-PR. ana_tutida@iapar.br
2 - Eng. Agrônomo, MSc. Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná –IAPAR. Rua Paulo Antônio da Costa, Caixa Postal 564, 87701-970, Paranavaí-PR. aulerpe@iapar.br
3 - Eng. Agrônomo, PhD. Pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná –IAPAR. Rod. Celso Garcia Cid, km 375 – Cx Postal 481, 86001-970, Londrina-PR. slccarvalho@iapar.br
4 - Eng. Agrônomo do Departamento de Economia Rural - DERAL, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná - SEAB, Rua dos Funcionários, 1559, CEP 80035.050, Curitiba, Pr, pauloandrade@seab.pr.gov.br


Data Edição: 21/11/07
Fonte: TodaFruta

 

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