País colhe seu primeiro mamão híbrido
Exportações do calimosa, desenvolvido e cultivado no Espírito Santo, já começaram a ser feitas como teste.
O primeiro mamão híbrido desenvolvido no Brasil, o calimosa, já está sendo colhido e exportado em pequenas quantidades, como teste para a sua aceitação no mercado externo. Fruto do cruzamento dos dois grupos existentes de mamão, o formosa e o solo, o calimosa, cujo nome técnico é uenf caliman 01, foi desenvolvido em parceria entre a Universidade do Norte Fluminense (UENF) e a empresa Caliman Agrícola, do Espírito Santo.
Conforme afirma o professor da UENF Messias Gonzaga Pereira, PhD em melhoramento de plantas, o calimosa surgiu da necessidade dos produtores de possuírem uma variedade híbrida adaptada ao clima e solo brasileiros. Atualmente, a variedade híbrida mais plantada no Brasil é o tainung 01, cuja semente é importada da Ásia, tem preço elevado e muitas vezes chega ao produtor de maneira ilegal.
’Além de ser o primeiro híbrido nacional de mamão, os agricultores terão a possibilidade de plantar um híbrido com segurança e cujas sementes serão mais baratas’, conta Pereira. Desenvolvido também para exportação, o calimosa não deve concorrer com o golden (Veja quadro), líder em exportações, porque são variedades distintas, de sabor e tamanhos diferentes.
’Quando plantava o tainung eu gastava cerca de R$ 2 mil no quilo da semente. Agora, gasto R$ 1 mil no quilo da semente do calimosa e tenho a ajuda da UENF, além de obter um fruto de melhor qualidade’’, diz o produtor Ronivaldo Dias, que plantou 7 mil pés de calimosa em Sooretama (ES).
MAIS SABOROSO
Além da grande diferença de preço, o professor Pereira aponta outras vantagens. ’O calimosa é mais saboroso do que o tainung 01 (de semente importada), com aproximadamente 20% a mais de sólidos solúveis, ou seja, é mais doce. As plantas têm boa produtividade, superior às cultivares do tainung importado.’
Apesar de todas as vantagens, o calimosa não é muito resistente a pragas. Pereira esclarece, porém, que isso não é exclusividade do calimosa, mas sim um problema de todas as variedades. ’Por enquanto ainda não existem variedades resistentes. A única alternativa é a constante e cuidadosa eliminação de plantas infectadas.’
Desenvolvida em 2004 e recentemente liberada para produtores do Espírito Santo, a calimosa tem frutos de tamanho intermediário, ou seja, maiores do que as do grupo solo (350 a 600 gramas) e menores que as do tainung (800 a 1.100 gramas), além da boa produtividade. A maior parte da produção será voltada para exportação e os principais mercados são o norte-americano e o europeu.
INFORMAÇÕES: Uenf, (0--22) 2726-1500; www.uenf.br
Fonte: O Estado de SP
