Paraná vai adotar Produção Integrada de Frutas para reduzir o uso de agrotóxicos
O Paraná poderá adotar a técnica da produção integrada de frutas, que representa a prática de uma fruticultura mais limpa com a redução drástica da aplicação de agroquímicos. A técnica foi apresentada nesta quinta-feira (23) ao secretário da Agricultura e do Abastecimento, Valter Bianchini, pela professora de Fitopatologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Larissa May de Mio. Segundo ela, a produção integrada representa uma transição entre a produção convencional e a orgânica.
Bianchini pediu a elaboração de um projeto com o acompanhamento dos técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento sobre o tema. A vantagem da produção integrada é que ela preconiza o associativismo, base para que os produtores tenham volume de produção, preço e qualidade das frutas, que são as principais exigências dos mercados interno e externo.
No Paraná, as pesquisas da UFPR com produção integrada estão ocorrendo na região Centro-Sul, com frutas de caroço como pêssego, nectarina e ameixas.
A produção integrada é um programa desenvolvido pela Embrapa e adotado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento na região do Vale do São Francisco, que se transformou em pólo exportador de frutas. Na produção de mangas ocorreu uma redução drástica da aplicação de agroquímicos. A aplicação de herbicidas caiu 90%, de fungicidas caiu 73% e de inseticidas foi reduzida em 63%.
Em Santa Catarina a produção de maçãs também é integrada e a redução de agroquímicos foi de 100%, informou o engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural da Seab, Paulo Andrade.
ALIMENTO SEGURO - A produção integrada prevê a racionalização do uso de insumos químicos, desde a adubação do solo até os inseticidas e fungicidas aplicados nas frutas. Impõe também o respeito a questões sociais e ambientais, que induzem mais profissionalismo na atividade por parte do produtor.
A técnica se diferencia da produção convencional ao estimular o uso apropriado dos recursos naturais como a prática de manejo de solos, controle biológico de pragas e doenças, procedimentos corretos na pós-colheita, explicou Andrade.
O produtor que adota a produção integrada tem o acompanhamento da propriedade e será certificado. A técnica requer como complemento a adoção de boas práticas agrícolas. Com isso, o produtor será reconhecido pelo mercado como um fornecedor de produtos com menos riscos e mais seguros.
A profissionalização na produção de frutas facilita a adoção da rastreabilidade para identificar o produtor e a localização do pomar e como a fruta foi produzida. A vantagem para o produtor ao adotar essas práticas é a valorização de sua produção, redução de custos, colocação de um produto diferenciado do convencional o que facilita o acesso a mercados mais exigentes como o europeu e aumento da competitividade.
Segundo Andrade, esse movimento começou com as exigências dos consumidores europeus junto aos supermercados, que por sua vez repassaram essas demandas a seus fornecedores. Inicialmente no Brasil essa prática começou com as frutas exportadas, para que pudessem ser aceitas pelo mercado europeu. Depois começou a se expandir para a produção em geral.
Data Edição: 24/08/07
Fonte: Agência Estadual de Notícias
