Produção de maracujá
Uma doença que causa o endurecimento dos frutos do maracujazeiro vem sendo a responsável pelos principais problemas do sistema de produção do maracujá em todas as regiões produtoras brasileiras.
Uma doença que causa o endurecimento dos frutos do maracujazeiro vem sendo a responsável pelos principais problemas do sistema de produção do maracujá em todas as regiões produtoras brasileiras, e pode ameaçar a produção da fruta em Mato Grosso do Sul.
Em visitas técnicas realizadas em junho deste ano aos municípios paulistas de Campinas, Bauru e Presidente Prudente, as pesquisadoras da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), Cássia Regina Ide Vieira e Olita Salati Stangarlin obtiveram informações sobre a doença, para orientar os produtores do Estado.
De acordo com as pesquisadoras, a doença, causada pelos vírus Passionfruit woodiness virus (PWV) e Cowpea aphid-borne (CABMV) reduz drasticamente a produtividade da lavoura, causando perdas de até 60% na produção, dependendo da época em que as plantas são infectadas. “Os principais danos causados pelos vírus são a redução do volume da polpa e a depreciação do aspecto visual do fruto, que fica menor, deformado e com a casca endurecida. Estes sintomas interferem diretamente na questão da comercialização, pois inviabilizam o fruto para o mercado de mesa e indústria”, aponta a pesquisadora Cássia Regina. Entre outros sintomas apresentados pela doença pode-se destacar também a formação de mosaicos, o clareamento de nervuras, rugosidades, bolhas e má-formações nas folhas do maracujazeiro.
Atualmente, a doença é encontrada em áreas de produção de maracujá dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Distrito Federal, Goiás e Paraná. Segundo a pesquisadora da Agraer, na região do Vale do Ribeira, em São Paulo, a área plantada teve uma diminuição em torno de 85% em decorrência da doença, passando de 600 para 70 hectares e a produtividade caiu de 25 toneladas por hectare para a média de 15 toneladas, registradas na safra de 2008. No município de Adamantina, também no interior paulista, a produtividade por hectare caiu, nos últimos três anos, em 50%, passando de seis para três caixas por pé. “Em função da elevada eficiência de transmissão do vírus pelos pulgões, através de uma simples picada do inseto, observa-se um quadro epidemiológico alarmante, que pode inviabilizar a produção comercial. Em Mato Grosso do Sul, se medidas corretas não forem adotadas com relação à produção de mudas e manejo cultural do maracujazeiro, o vírus do endurecimento dos frutos poderá se disseminar rapidamente, podendo inviabilizar a atividade”, alerta Cássia.
O controle da doença pode ser feito através de medidas como: aquisição de mudas de maracujá produzidas em estufas fechadas com telas protetoras e de viveiristas registrados no Ministério da Agricultura; não realização de plantios novos, próximos a pomares em produção que contenham plantas que apresentem sintomas da doença; eliminação de pomares contaminados e início de novo plantio após um período de 20 a 30 dias; eliminação de plantas com sintomas da doença até o início do florescimento; desinfecção de instrumentos de poda/desbrota evitando a transmissão mecânica do vírus; manutenção das entrelinhas do pomar com daninhas roçadas; realização do plantio em locais isolados (vazio sanitário) e evitar o plantio de leguminosas nas entrelinhas do pomar.
O cultivo do maracujá em Mato Grosso do Sul vem se configurando como uma atividade promissora, de boa rentabilidade e é desenvolvida principalmente por pequenos produtores rurais.
Fonte: Midiamax
Publicada: 06/07/09
