Produtor do Jaíba obtém o Globalgap
Minas Gerais já tem uma fazenda certificada com o Globalgap, selo que permite a exportação de frutas para a União Europeia.
Minas Gerais já tem uma fazenda certificada com o Globalgap, selo que permite a exportação de frutas para a União Europeia. A fazenda Ouro Verde, que produz principalmente limão, possui 75 hectares e fica no município de Matias Cardoso numa área que integra o Projeto Jaíba, no Norte do Estado. No segundo semestre, quando cai a produção de São Paulo, principal produtor e exportador de limão, os ganhos com os embarques para a UE podem ser 250% maiores do que os conseguidos nas vendas dentro do país.
O antigo selo, o Eurepgap, foi substituído pelo atual em 2007, fato que fez aumentar a lista de exigências para credenciar os exportadores. Para obter o selo, o proprietário da Ouro Verde, Reginaldo Nunes Saraiva, precisou adequar a propriedade a 320 itens. “Eles são especialmente rigorosos quando se trata dos exames residuais que identificam os tipos de defensivos agrícolas utilizados na lavoura”, detalha o produtor.
Na verdade, Saraiva saiu na frente do grupo de mais de 30 produtores que pretende conseguir a licença. “Ele conseguiu a certificação em menos de um ano, quando o prazo médio que os produtores levam para se adequar é de cerca de um ano e meio”, informa o economista e analista de agronegócios do Sebrae Minas, Cláudio Wagner de Castro.
Desde 2004, o Sebrae começou a ‘treinar’ os fruticultores do Jaíba com vistas à exportação. Atualmente, a área plantada de limão no Jaíba beira os 1.800 hectares, com a previsão de chegar a 4 mil hectares entre 2010 e 2011. “O limão tem uma procura excelente lá fora”, atesta o economista. Até 2006, 14 produtores de frutas do Jaíba foram certificados com o Eurepgap. Agora, a meta é credenciar mais 11 produtores do Projeto com o Globalgap até o final de 2011.
O fazendeiro Saraiva não gosta de falar de números. Não precisa o quanto investiu, mas admite que precisou desembolsar uma quantia considerável para correr contra o tempo para conseguir a certificação. “Estava perdendo contratos de janeiro até maio. Com a certificação, consegui mais três grandes clientes (trades) de São Paulo”, conta. Castro, do SebraeMinas, pondera que o fato de sair na frente com o selo cria um diferencial de mercado para o agricultor.
Segundo Saraiva, outra grande vantagem que o selo proporciona é a de permitir a exportação diretamente para grandes supermercados europeus, sem precisar recorrer às trades.
A certificação é tão expressiva para os negócios que ele pretende dobrar faturamento e produção dentro de apenas um ano. Atualmente, a exportação de limão corresponde a 50% da produção, uma proporção excelente, segundo o fruticultor. “São Paulo produz limão há várias décadas e exporta 55% da produção, enquanto nós atingimos 50% com seis anos de cultivo”, analisa.
O limoeiro começa a produzir com três anos e chega à plenitude aos cinco anos. Um pé pode produzir por 20 anos, conforme o analista de agronegócio do Sebrae. Ele destaca que o cultivo de frutas utiliza uma média de quatro a cinco pessoas por hectare. Em comparação com a cultura de grãos, a mesma área exige o trabalho de no máximo duas pessoas.
No ano passado, ele conta que comercializou cerca de 250 toneladas de frutas com a Europa. Com o Globalgap, a coisa muda de figura: “é como se eu tivesse conseguido um passaporte”, assegurando que, se o produtor tiver volume de produção e qualidade, o mercado do Velho Continente é grande.
Na opinião de Saraiva, o produtor mineiro ainda não se deu conta do que representa a importância de um selo. “Normalmente, eles querem saber quanto vão ganhar a mais com o certificado. Digo que não ganho um tostão a mais além do que já ganhava com o selo. O que acontece é que, com ele, vou abrindo janelas para novos mercados”, ensina.
O fazendeiro de 35 anos é técnico agrícola, nordestino do Piauí. Não teve vida fácil. Só foi conhecer cama aos 19 anos, quando foi para a Escola Técnica. É o décimo filho de uma família de 14 irmãos. Ao chegar ao Jaíba, foi assalariado e gerente da Associação dos Produtores de Limão do Jaíba (Aslim). Possui 46 funcionários, todos com carteira assinada, aliás, uma exigência da certificação da União Europeia.
O selo Globalgap visa aferir a qualidade por meio das chamadas boas práticas de produção, que incluem a rastreabilidade dos produtos e a não utilização de mão de obra infantil ou escrava.
Fonte: Jornal Hoje em Dia
Publicada: 26/05/09
