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Produtores de frutas do Norte de Minas temem perder competitividade

Segundo os produtores, poderá inviabilizar economicamente a fruticultura na região, fazendo a atividade perder mercados para outras regiões produtoras.

NOVA PORTEIRINHA - Os fruticultores do Norte de Minas protestaram ontem contra a cobrança pelo uso da água a partir do próximo ano, decidida pela Agência Nacional de Águas, o que, segundo os produtores, poderá inviabilizar economicamente a fruticultura na região, fazendo a atividade perder mercados para outras regiões produtoras. O protesto ocorreu durante o II Seminário Estadual de Fruticultura Irrigada de Minas Gerais, realizado no auditório Adir Pinheiro, das Faculdades do Vale do Gorutuba, em Nova Porteirinha.

Para o presidente da Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas, Dirceu Colares Moreira, a cobrança pelo uso da água é preocupante, enquanto Yuji Yamada, considerado o maior fruticultor de Minas Gerais, com 1.550 hectares plantados com frutas de várias espécies, alerta que a região perderá a competitividade.

Na abertura do seminário, Dirceu Moreira lembrou que o Norte de Minas é a única região considerada zona livre da Sigatoka Negra, o maior problema na produção de bananas. E lamentou o fato de os altos preços da energia e dos adubos prejudicarem a produção. Como se não bastassem, agora, é a cobrança pelo uso da água que ameaça o produtor de frutas do Norte de Minas, que deveria ser isento pelo fato de preservar os mananciais.

Yamada, dono de 1,1 mil hectares de banana, 250 hectares de cajá-manga, 55 hectares de mamão e 133 hectares de várias outras culturas, lembra que existem várias áreas onde se produzem frutas no país sem irrigação e localizadas mais próximas dos centros consumidores, fatores que influem na competitividade. No Norte de Minas, produzir frutas sai mais caro, pois além dos gastos com equipamentos de irrigação, com energia elétrica e com frete mais caro para chegar aos centros consumidores, agora, ainda teremos que pagar pelo uso da água.

O produtor Luciano Fonseca propôs que os irrigantes do semi-árido mineiro e do Nordeste brasileiro sejam isentos do pagamento pelo uso da água, pelo fato de serem regiões carentes, onde a fruticultura tem um importante papel social, além do econômico, ao evitar o êxodo rural para os centros urbanos. Jadilson Borges, do Sebrae-MG, lembrou que a entidade está fazendo estudos para tentar medir o impacto da cobrança pelo uso da água na fruticultura, visando orientar os produtores sobre medidas a serem adotadas. Salientando que a proposta de os produtores serem isentados da cobrança pelo fato de estarem preservando mananciais justifica a reivindicação.

Fonte: Jornal Hoje em Dia - Girleno Alencar - da Sucursal

Publicada em: 04/11/2008.

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