Retrospectiva 2011
A rentabilidade em 2011 foi positiva, mas não o suficiente para ampliar a área em 2012.
Segundo estimativas da Hortifruti Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da ESALQ/USP, a rentabilidade obtida por produtores dos 10 hortifrutícolas pesquisados continuamente - tomate, batata, cebola, cenoura, manga, melão, mamão, maçã, uva e banana - foi, no geral, positiva em 2011. O principal motivo foi a redução da área cultivada em 3,8%. No entanto, a rentabilidade não foi elevada o suficiente para estimular aumento da área em 2012.
Com o objetivo de ter uma estimativa de quanto deve ser cultivado em 2012, a equipe Hortifruti Brasil ouviu produtores dos 10 setores. O levantamento não representa a totalidade dessas culturas no Brasil, mas proporciona uma boa tendência do que deve ser cultivado nas principais regiões produtoras.
Em relação às frutas analisadas pela Hortifruti Brasil - banana, maçã, mamão, manga, melão e uva -, o mamão foi a cultura que mais apresentou retração de área em 2011, enquanto que o melão foi o que mais se expandiu. A redução de área destinada para o mamão ocorreu devido ao baixo desempenho econômico que a cultura vem proporcionando aos produtores nos últimos anos. Já no caso do melão, a recuperação da área em 2011 no Rio Grande do Norte/Ceará deve-se à retração de oferta na Espanha, o que favoreceu a demanda externa pelo melão brasileiro. O restante das frutas avaliadas pelo projeto não apresentaram grandes alterações de área em 2011.
Apesar de, no geral, o cenário ter sido mais positivo ao setor hortifrutícola em 2011 que em 2010, está cada vez mais difícil ampliar as áreas devido à escassez de mão-de-obra, ao maior rigor da legislação ambiental e à falta de sementes híbridas.
Em relação ao mercado de citros, que completa o grupo de 11 produtos pesquisados pela Hortifruti Brasil, a análise é feita separadamente (página 44) porque a dinâmica desse mercado é distinta da verificada nos produtos frescos acima mencionados. Isso ocorre porque a produção da citricultura nacional está fortemente atrelada ao suco de laranja, um produto industrial e passivo de estocagem.
Importações crescem mais que exportações em 2011
A balança comercial de frutas (exportações menos importações) deve recuar consideravelmente em 2011 frente ao resultado de 2010. Os gastos com importações tiveram forte avanço, ao passo que a receita das exportações tiveram tímido crescimento. A estimativa da Hortifruti Brasil (com base em dados de janeiro até novembro de 2011) é que o montante de importações deve crescer cerca de 30%, enquanto a receita com exportações deve avançar somente 3%.
O saldo em valores monetários (US$) continua positivo, mas a diferença entre a receita gerada com exportações menos o gasto com importações vem reduzindo desde 2009, após a crise econômica no final de 2008 ter afetado consideravelmente o poder de compra do europeu e do norte-americano, retraindo o volume exportado pelo Brasil. Por outro lado, o aquecimento da economia brasileira aliado ao Real mais valorizado impulsionaram as importações.
Em 2011, as três frutas de destaque da pauta de importação, responsáveis por 70% do montante gasto são pêra, maçã e uva. O aumento da maçã e da uva foi impulsionado, neste ano, pela quebra de safra dessas frutas no País. Já no caso da pêra, o crescimento das compras deve-se ao bom volume disponível no mercado externo e ao valor atrativo disponível aos brasileiros (muito próximo ao valor da maçã).
No caso das exportações, a expectativa é que, em 2011, a receita feche ligeiramente superior à de 2010. A projeção da Hortifruti Brasil é de um crescimento de 3% no faturamento bruto. Um fator positivo para as exportações em 2011 frente a 2010 foi a valorização do dólar sobre o Real no último quadrimestre, principal período de exportação das frutas. Além disso, houve queda de produtividade de vários produtos em países concorrentes do Brasil, como a uva grega, o melão espanhol e a manga e a lima ácida tahiti mexicanas.
As frutas que devem ter uma receita superior em 2011 frente a 2010 são o melão, a manga, a lima ácida tahiti, a uva e o mamão. Por outro lado, as exportações de banana e maçã, devido à menor oferta brasileira, devem ser menores que em 2010.
Perspectivas 2012
Área estável deve proporcionar bons rendimentos em 2012
Estimativas iniciais da Hortifruti Brasil apontam que a área de 10 produtos-alvo do projeto na soma das regiões pesquisadas não deve ter grandes alterações em 2012 em comparação com 2011. Por enquanto, redução dos investimentos para o próximo ano é estimada somente para mamão e maçã. O baixo desempenho dessas culturas reduziu a área cultivada em 2011 e deve manter essa pressão também em 2012. As demais frutas e hortaliças devem ter seus investimentos em área estáveis em 2012 frente a 2011. As demais frutas e hortaliças devem ser cultivadas em área semelhante à de 2011.
Por conta dessa estabilidade de área para o próximo ano, a previsão é que os produtores obtenham uma boa rentabilidade, caso adversidades climáticas não prejudiquem a produtividade nem a qualidade das culturas.
Quanto à demanda, tudo indica que o consumo interno deve ser o foco dos setores, inclusive de frutas, já que a demanda por esses produtos brasileiros na Europa e nos Estados Unidos deve continuar enfraquecida devido ao baixo crescimento econômico dessas economias. Assim, a tendência dos fruticultores, que antes comercializavam boa parte de sua produção no exterior, é direcionar seus investimentos para o mercado interno. Por exemplo, produtores de uva do Vale do São Francisco devem alocar 50% ou mais da sua safra para o mercado nacional em 2012.
O fortalecimento do consumo doméstico está também influenciando a geografia da produção de frutas e hortaliças no País. Com o crescimento mais acelerado do consumo (em termos relativos) do Centro-Oeste e Nordeste, produtores especialmente de Goiás, da Bahia e do Norte de Minas Gerais devem investir mais na hortifruticultura que aqueles de áreas tradicionalmente produtoras do Sul e Sudeste do País.
Retrospectiva 2011 & projeções 2012 por produto-alvo da Hortfruti Brasil
UVA: Em 2011, estima-se que houve diminuição de 4,2% da área cultivada no Vale do São Francisco e de 0,6% no Sudeste e Paraná. No Nordeste, a baixa rentabilidade das últimas safras também limitou os investimentos neste ano. Na região de Campinas (SP), a redução foi de 1% na área de cultivo, devido à baixa oferta de mão-de-obra, assim como verificado na região de Bandeirantes (PR), onde a área diminuiu 5,3% em comparação a 2010. Marialva (PR) teve diminuição de 2,8%. Estima-se que houve aumento de área em 2011 somente nas regiões de Jales (SP) e de Pirapora (MG), de 5,7% e 5,2%, respectivamente, o que proporcionou recuperação parcial da retração de área em anos anteriores. Para 2012, por enquanto, a tendência é de estabilidade em área em todas as regiões produtoras.
MAÇÃ: A área dos pomares nas regiões catarinenses de Fraiburgo e São Joaquim e na gaúcha de Vacaria para a safra de 2011/12 foi estimada em 26.950 hectares, o que significa 10% a menos que a cultivada na temporada 2010/11. Segundo agentes, as macieiras mais antigas – de baixa produtividade – estão sendo erradicadas no Sul e a baixa remuneração obtida com a fruta nos últimos anos inibe boa parte dos produtores a renovar essas áreas.
MELÃO: Com vistas a um cenário externo mais favorável na temporada de exportação 2011/12, produtores do Rio Grande do Norte/ Ceará ampliaram a área em 9,5%, totalizando 11,4 mil hectares. Já os produtores do Vale do São Francisco mantiveram a área cultivada em 2011 frente a 2010 em torno de 2 mil hectares. Para 2012, a tendência é de estabilidade na área cultivada nestes dois pólos de produção.
MAMÃO: A expectativa é que a área em 2011 tenha sido 13,4% menor que a de 2010 nas regiões pesquisadas, já que desde aquele ano a cultura vem registrando baixa rentabilidade. Assim, os pomares mais velhos não devem ser substituídos por novos nas regiões mais tradicionais de cultivo, como nas do Espírito Santo e nas da Bahia. Para 2012, é mantida a tendência de retração nas regiões tradicionais.
MANGA: Neste ano, foram observadas leves ampliações na área de cultivo em São Paulo e no Vale do São Francisco. Dessa forma, a área cultivada (Nordeste, norte de Minas Gerais e São Paulo) deve ser 1,9% maior que a de 2010. A exceção é a região de Livramento de Nossa Senhora/Dom Basílio (BA), onde a área plantada de manga deverá seguir estável, limitada pela falta de água para irrigação. Para 2012, a tendência é de estabilidade na área cultivada nos principais pólos de produção.
BANANA: Apesar das fortes chuvas nos bananais do Vale do Ribeira (SP) no início de agosto, a área de cultivo não deve ser reduzida. Segundo produtores paulistas, com as temperaturas mais elevadas e a ocorrência de chuvas regulares a partir de setembro, boa parte dos bananais se recuperou. Já onde as plantas não se recuperaram, produtores investiram em replantios. Em 2011, investimentos em área puderam ser observados em Bom Jesus da Lapa (BA) e no Norte de Minas Gerais, enquanto que no norte de Santa Catarina houve diminuição com a saída alguns produtores da cultura. No geral, a estimativa é que a área total analisada pelo projeto Hortifruti/Cepea tenha apresentado ligeiro aumento de 0,3% em 2011 frente à de 2010. Para 2012, as apostas são também de um pequeno aumento impulsionado, por enquanto, pela expectativa de investimentos no Rio Grande do Norte.
Fonte: Cepea
Publicada: 19/01/2012
