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Vinícolas inauguram a produção de suco de uva no Vale do São Francisco

Maior região exportadora de uvas do país, o Vale do Rio São Francisco começa a transformar as frutas das parreiras em suco.

 

Maior região exportadora de uvas do país, o Vale do Rio São Francisco começa a transformar as frutas das parreiras em suco. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) está colhendo este mês a primeira safra das variedades de uva adaptadas ao clima semi-árido tropical destinadas à fabricação da bebida.

Por enquanto, duas vinícolas da região estão testando a fabricação do suco de forma artesanal: a Garziera e a São Francisco. Mas, até o fim do ano, será instalado em Petrolina (PE), na Embrapa do Semi-Árido, um laboratório semi-industrial para a produção experimental de suco, com capacidade para 300 litros da bebida por hora.

O suco surge como alternativa às vendas externas da uva de mesa, que variam ao sabor da flutuação do câmbio, e também do vinho, produto do Vale do Rio São Francisco que ainda busca maior aceitação dos consumidores.

"Obter um suco de qualidade é muito mais fácil do que conseguir um vinho bom", explica Giuliano Elias Pereira, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho do Semi-Árido. Enquanto o suco envolve somente questões de coloração, aroma e gosto, o vinho abrange pontos como o tanino, substância da uva que dá adstringência à bebida.

Atualmente, a fabricação de suco de uva está concentrada basicamente em dois Estados do Brasil: Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Se a produção do Nordeste se mostrar viável, a grande vantagem será a possibilidade de se obter até três safras ao longo do ano graças ao clima e à irrigação. Já em outras partes do país é preciso estocar a única safra anual.

"As perspectivas para o suco de uva no Vale do Rio São Francisco são promissoras porque se consegue produzir o ano todo, empatando menos dinheiro de uma só vez", afirma José Gualberto de Almeida, dono da vinícola São Francisco (que usa a marca Botticelli) e presidente da Valexport (associação dos exportadores do Vale do São Francisco).

Para desenvolver a produção de suco no Nordeste, a Embrapa está investindo cerca de R$ 600 mil. Ao todo, foram plantados em parceria com as vinícolas São Francisco e Garziera 10 hectares de três variedades de uva: Isabel Precoce, BRS Rubia e BRS Cora.

A Garziera decidiu plantar outros dois hectares de uva Isabel Precoce para já ir testando a produção artesanal de suco. São 300 garrafas de 500 ml por dia. A primeira leva do produto foi colocada à venda no mês passado. Por enquanto, está restrita ao turistas que visitam a vinícola. Mas chegará a alguns pontos do Recife também em breve.

"Acreditamos que o suco do Vale do Rio São Francisco tenha uma aceitação no mercado mais fácil em relação ao vinho. Para o suco pesa mais o fator preço. Já em vinhos, não se caracteriza uma região de uma hora para a outra", diz José Roberto Garziera, dono da Garziera. Há dois anos, a produção de vinhos na região está estacionada em cerca de 7 milhões de litros por ano.

Daqui a um ano, Garziera irá reavaliar se aumenta ou não a fabricação de suco, levando em consideração os avanços da pesquisa da Embrapa, a aceitação da bebida e viabilidade econômica. O produtor também quer incluir o suco no circuito de enoturismo do Vale do Rio São Francisco.

Um ponto que conta a favor dos sucos é o crescimento do consumo. A comercialização da bebida cresceu cerca de 75% de 2000 a 2006 na maior região produtora do Brasil, o Rio Grande do Sul. Foram 38,6 milhões de litros no ano passado. Já a venda de vinhos subiu 5% no mesmo período.

Data Edição: 31/07/07    
Fonte: Valor Online    

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